Em sistemas de drenagem urbana, a condição de regime seco representa o estado operacional de referência. Nessa condição, espera-se baixa ou nenhuma vazão e turbidez reduzida, refletindo apenas águas residuais de lavagem superficial ou infiltrações mínimas. Qualquer desvio persistente desse comportamento indica ruptura funcional da rede pluvial, geralmente associada à presença de ligações clandestinas de esgoto sanitário ou industrial. A turbidez, nesse contexto, deixa de ser apenas um parâmetro físico e passa a atuar como indicador técnico de conformidade hidráulica e ambiental.
Essa lógica transforma pontos de drenagem — galerias pluviais, canais abertos ou poços de inspeção — em locais estratégicos de monitoramento, onde a estabilidade do parâmetro ao longo do tempo é tão relevante quanto o valor instantâneo medido.
Ambiente operacional e riscos associados à instabilidade da drenagem
A drenagem urbana opera sob variações hidráulicas extremas, alternando longos períodos de estiagem com eventos de chuva intensa. Durante precipitações, ocorre aumento abrupto de vazão, arraste de areia, sedimentos, sólidos em suspensão, resíduos orgânicos e detritos urbanos. Já em períodos secos, qualquer aporte contínuo de sólidos indica lançamento indevido de efluentes.
A instalação de instrumentação nesses pontos impõe desafios técnicos relevantes: submersão contínua, vibração hidráulica, variações rápidas de nível, incrustações, deposição de materiais e acesso físico restrito, muitas vezes em áreas de tráfego intenso. A impossibilidade de intervenções frequentes exige sensores com robustez mecânica, estabilidade metrológica e capacidade de operação contínua sem supervisão local, sob risco de perda de dados críticos para ações de fiscalização e controle ambiental.
Turbidez como critério objetivo para identificação de ligações clandestinas
Do ponto de vista técnico, a turbidez é um dos poucos parâmetros capazes de diferenciar, de forma contínua, água pluvial típica de água contaminada por efluentes. Em regime seco, a drenagem apresenta valores baixos e estáveis. Já o lançamento de esgoto introduz partículas finas, matéria orgânica e sólidos suspensos, elevando o NTU de maneira anômala e persistente.
O desafio não está apenas em medir, mas em discriminar variações reais de interferências operacionais, como ressuspensão de sedimentos ou oscilações hidráulicas naturais. Isso exige um sistema de medição com ampla faixa operacional, alta estabilidade e capacidade de registrar eventos intermitentes fora de períodos de chuva, permitindo correlação temporal entre picos de turbidez e possíveis fontes clandestinas.
Medição nefelométrica integrada ao processo de drenagem
Inserido diretamente nesse ambiente adverso, o sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo atua como elemento contínuo de diagnóstico da drenagem. A medição é baseada no princípio nefelométrico, com dispersão de luz infravermelha a 90°, tecnologia reconhecida pela precisão na detecção de partículas em suspensão, mesmo sob grande variabilidade hidráulica.
A faixa de medição de 0 a 4000 NTU, distribuída em quatro faixas fixas mais uma faixa automática, permite acompanhar desde condições de água limpa até episódios de alta carga de sólidos. A utilização de fibra óptica infravermelha reduz a influência de variações de cor da água, aumentando a estabilidade das leituras em ambientes urbanos heterogêneos.
A construção submersível IP68 viabiliza a instalação permanente em galerias e canais, inclusive sob submersão contínua. Em pontos com elevada propensão à incrustação, o acessório de limpeza automática HYDROCLEAN mantém a janela óptica funcional, preservando a confiabilidade dos dados ao longo do tempo sem necessidade de intervenções frequentes.
Integração de dados, continuidade do monitoramento e correlação operacional
A comunicação digital aberta via MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 permite integração direta com dataloggers e sistemas supervisórios, transformando a medição local em uma ferramenta de monitoramento remoto contínuo. Essa arquitetura possibilita análise histórica, identificação de padrões recorrentes e correlação entre eventos de turbidez e condições operacionais específicas, como ausência de chuva.
O baixo consumo de energia do sensor favorece sua aplicação em pontos remotos, alimentados por baterias ou sistemas autônomos, ampliando a cobertura da rede de monitoramento. Além da leitura em NTU, a opção de medição em mg/L de MES (0–4500 mg/L) permite correlacionar turbidez com concentração estimada de sólidos em suspensão, fornecendo base técnica adicional para avaliação do impacto ambiental dos lançamentos indevidos.
Gestão técnica baseada em evidências e dados defensáveis
Ao operar de forma contínua, a medição online de turbidez permite detecção precoce de alterações incompatíveis com a função da drenagem pluvial. Elevações persistentes em períodos secos direcionam inspeções de campo de forma objetiva, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência das ações de fiscalização.
A manutenção simplificada, associada à autolimpeza, minimiza intervenções em ambientes de difícil acesso. A confiabilidade das medições, reforçada por calibração com padrões de formazina e práticas adequadas de manutenção preventiva, assegura que os dados gerados sejam tecnicamente defensáveis em processos de diagnóstico ambiental e gestão de redes.
Mais do que um ponto de medição, o sensor de turbidez integrado à drenagem urbana consolida-se como um instrumento técnico de controle funcional do sistema, sustentando decisões baseadas em evidências e alinhadas às exigências operacionais dos sistemas urbanos modernos
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





