Em sistemas aquícolas, a integridade das guelras é diretamente afetada pela presença e pela dinâmica de partículas em suspensão na água. Viveiros escavados, tanques-rede, sistemas de recirculação e canais de abastecimento operam continuamente em condições submersas, com variações de temperatura, formação de bioincrustações e entrada constante de sedimentos, ração não consumida, fezes, algas e partículas orgânicas. Nesse cenário, a turbidez deixa de ser apenas um parâmetro de qualidade da água e passa a atuar como um indicador direto de risco fisiológico aos organismos cultivados, como peixes e camarões, exigindo monitoramento contínuo, confiável e quantitativo.
Continuidade operacional e exigência de medição permanente
A operação aquícola depende de ambientes que permanecem submersos por longos períodos e que sofrem alterações frequentes decorrentes do manejo, da alimentação e das condições naturais. Instrumentos utilizados nesse contexto precisam operar em imersão permanente, apresentar baixa necessidade de manutenção e permitir integração direta com sistemas de aquisição de dados existentes. Medições pontuais ou avaliações visuais não oferecem repetibilidade nem precisão suficientes para caracterizar a real concentração de partículas em suspensão. A ausência de dados contínuos compromete a capacidade de resposta rápida e amplia o risco de impactos cumulativos sobre as guelras.
Impacto técnico da turbidez elevada sobre os organismos
A turbidez elevada está associada ao aumento da concentração de sólidos em suspensão, que podem causar abrasão e inflamação das guelras, reduzindo a capacidade respiratória e comprometendo a oxigenação dos organismos. Esse processo eleva o estresse fisiológico, aumenta a suscetibilidade a doenças e resulta em perdas produtivas. Além disso, a redução da penetração de luz altera o equilíbrio do ambiente aquático e pode indicar falhas no manejo, como excesso de ração ou ressuspensão de sedimentos. Identificar rapidamente variações de turbidez é essencial para evitar que essas condições se prolonguem e afetem a eficiência do sistema de cultivo.
Inserção da medição nefelométrica no contexto operacional
Para atender a essa necessidade, a medição contínua de turbidez é incorporada diretamente ao processo por meio de sensores online baseados no princípio nefelométrico. A tecnologia empregada utiliza a dispersão de luz infravermelha a 90°, método adequado para detectar variações na concentração de partículas em suspensão com precisão e menor suscetibilidade a interferências externas. Essa abordagem permite que a turbidez seja acompanhada em tempo real, transformando-se em uma variável operacional ativa dentro da gestão da qualidade da água.
Faixas de medição e correlação com sólidos em suspensão
A aplicação em aquicultura exige flexibilidade para lidar com condições que variam desde águas mais claras até situações de alta carga de sólidos. A medição de 0 a 4000 NTU, distribuída em quatro faixas mais uma faixa automática, cobre as condições típicas desses sistemas. Adicionalmente, a possibilidade de medição em mg/L de MES (0–4500 mg/L) permite correlacionar diretamente a turbidez com a concentração de matéria em suspensão, reforçando a avaliação do risco às guelras e oferecendo uma base quantitativa para decisões de manejo.
Robustez construtiva e estabilidade de longo prazo
Em ambientes sujeitos a bioincrustações e operação contínua, a confiabilidade da medição depende da construção do sensor. A construção robusta e submersível (IP68) assegura operação permanente no meio aquático, enquanto a tecnologia infravermelha por fibra óptica contribui para a estabilidade das leituras ao longo do tempo. Para reduzir o acúmulo de depósitos na janela óptica e minimizar intervenções manuais, o sensor pode ser equipado com o acessório de limpeza automática HYDROCLEAN, mantendo a qualidade metrológica mesmo em condições adversas.
Integração digital e suporte ao controle de processo
A incorporação da turbidez ao controle operacional é viabilizada pela comunicação digital via MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12, permitindo integração direta com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios. Essa comunicação aberta garante transmissão de dados em tempo real, maior imunidade a ruídos e facilidade de incorporação em infraestruturas existentes. O baixo consumo de energia amplia a aplicabilidade do sensor em instalações remotas ou em sistemas alimentados por fontes limitadas.
Manutenção, calibração e confiabilidade metrológica
A estabilidade do monitoramento depende não apenas da tecnologia de medição, mas também da manutenção e da calibração. A limpeza automática reduz a frequência de intervenções em campo, enquanto os procedimentos de calibração com padrões certificados de formazina asseguram rastreabilidade e confiabilidade metrológica ao longo do tempo. Esses aspectos permitem que a turbidez seja utilizada como um indicador operacional consistente, sustentando ajustes de manejo e avaliações contínuas da eficiência do sistema.
Turbidez como variável ativa na gestão aquícola
Ao fornecer dados quantitativos e contínuos sobre a concentração de partículas em suspensão, a medição de turbidez passa a integrar a lógica de proteção das guelras e de estabilidade do ambiente aquático. A instrumentação deixa de atuar apenas como monitoramento passivo e se torna parte do controle técnico do processo, permitindo ações preventivas antes que níveis elevados de partículas causem danos fisiológicos. Dessa forma, o controle da turbidez contribui diretamente para a sustentabilidade, a eficiência produtiva e a continuidade operacional da aquicultura, alinhando a gestão da qualidade da água às exigências reais do cultivo intensivo.
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





