Em sistemas farmacêuticos de água purificada (PW) e água para injetáveis (WFI), a estabilidade química contínua é o fator técnico que sustenta tanto a segurança do produto final quanto o atendimento às normas farmacopeicas internacionais. Operando em regime de recirculação contínua, com controle térmico rigoroso e ciclos periódicos de sanitização térmica ou química, esses sistemas não admitem desvios químicos transitórios. Qualquer alteração na composição iônica da água pode comprometer a conformidade com a USP <643> (TOC) e a USP <645> (condutividade), referências adotadas pela ANVISA. Nesse contexto, a água não é apenas um insumo: é um elemento validador do processo, cuja integridade deve ser garantida em tempo real, mesmo sob baixas concentrações iônicas, temperaturas variáveis e ambiente operacional severo.
Risco operacional: quando o TOC não é o primeiro sinal
Embora o Carbono Orgânico Total (TOC) seja o parâmetro oficial para avaliação da pureza orgânica da água farmacêutica, ele raramente é o primeiro indicador de perda de qualidade no processo. Analisadores de TOC são, por natureza, mais complexos, mais custosos e frequentemente operam com menor frequência de leitura. O risco técnico real está em permitir que condições de processo se deteriorem silenciosamente até que o TOC ultrapasse os limites farmacopeicos. Antes disso ocorrer, falhas em osmose reversa, troca iônica, eletrodeionização, degradação de resinas ou intrusão de sanitizantes e produtos de limpeza já se manifestam como alterações iônicas. Assim, o desafio não é apenas medir TOC, mas impedir sua elevação, mantendo a água quimicamente estável ao longo de toda a operação.
Condutividade como barreira preventiva de conformidade
Dentro dessa lógica preventiva, a condutividade assume um papel estratégico. Em sistemas PW (Purified Water – Água Purificada) e WFI (Water for Injection – Água para Injeção), ela opera em uma faixa extremamente baixa, onde variações mínimas têm impacto direto na conformidade. A USP <645> define critérios rigorosos de condutividade dependentes da temperatura da água, tornando indispensável a medição precisa e compensada termicamente. Qualquer incremento, mesmo discreto, indica a presença de íons dissolvidos oriundos de falhas de purificação, degradação de materiais ou contaminação cruzada. Esses desvios são críticos porque frequentemente precedem aumentos de TOC, especialmente quando associados a compostos orgânicos ionizáveis ou resíduos de sanitização. Não existe margem operacional ampla: a água deve permanecer continuamente dentro dos limites farmacopeicos, ainda que não haja um limite legal específico de condutividade por processo definido em legislação sanitária brasileira.
Monitoramento contínuo em ambiente severo
O ambiente operacional dos sistemas farmacêuticos de água impõe exigências técnicas específicas aos instrumentos de medição. São necessárias respostas imediatas a desvios, estabilidade de sinal em baixas condutividades, resistência a ciclos de sanitização química ou térmica e capacidade de operar sob temperaturas variáveis. Além disso, a rastreabilidade dos dados e a integração com sistemas de controle são essenciais para auditorias, validação de sistemas computadorizados e atendimento às Boas Práticas de Fabricação (BPF/GMP). Sensores online que não mantenham estabilidade metrológica nesse cenário deixam lacunas no controle preventivo do processo, aumentando o risco de não conformidade regulatória associada ao TOC.
Condutividade integrada ao controle do processo: atuação do C4E
Inserido diretamente na lógica operacional dos sistemas PW e WFI, o C4E digital sensor da Aqualabo atua como elemento contínuo de vigilância da integridade química da água. Sua tecnologia de 4 eletrodos, operando com corrente alternada e tensão constante, é especialmente adequada para medições precisas em águas de baixa condutividade, onde a estabilidade do sinal é determinante. O sensor realiza a medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura, com compensação automática de temperatura, garantindo alinhamento técnico com os critérios da USP <645>. A comunicação digital Modbus RS 485, com protocolo aberto, permite integração direta aos sistemas supervisórios, viabilizando alarmes imediatos frente a desvios que possam impactar o controle de TOC.
Continuidade operacional e integridade metrológica
Além da precisão analítica, o C4E foi concebido para suportar a operação contínua típica dos sistemas farmacêuticos de água. O baixo consumo de energia e o armazenamento interno dos dados de calibração reduzem intervenções manuais e riscos de erro humano. A estabilidade metrológica proporcionada pelo sistema de 4 eletrodos minimiza efeitos de incrustações e variações de carga elétrica, comuns após ciclos de sanitização. A manutenção é previsível, restrita essencialmente à limpeza e inspeção periódica, sem necessidade frequente de recalibração, característica alinhada às rotinas GMP. Embora o C4E não meça TOC diretamente, sua função é decisiva para manter as condições químicas que sustentam o atendimento contínuo à USP <643> (TOC).
Controle preventivo como estratégia de qualidade
Do ponto de vista operacional e regulatório, o uso do C4E digital sensor reforça uma estratégia de controle preventivo do processo, em vez de uma abordagem reativa baseada apenas em análises pontuais de TOC. A detecção precoce de desvios de condutividade permite ações corretivas imediatas, reduzindo descartes de água, retrabalhos e paradas não planejadas. A rastreabilidade digital dos dados atende às exigências de auditoria e validação, enquanto a robustez do sensor assegura confiabilidade mesmo em condições severas. Assim, a condutividade deixa de ser apenas um parâmetro complementar e passa a atuar como sentinela operacional da pureza da água.
Aplicação prática na realidade farmacêutica
Na prática da indústria farmacêutica, a conformidade com USP <643> e USP <645> não é sustentada apenas por instrumentos analíticos finais, mas por uma arquitetura de controle capaz de manter o processo estável, previsível e continuamente monitorado. O C4E digital sensor da Aqualabo se integra a essa arquitetura como um componente crítico de controle da condutividade, diretamente ligado à integridade química da água e indiretamente ao desempenho em TOC. Ao operar com precisão, compensação térmica, comunicação digital aberta e resistência a ambientes severos, o sensor contribui de forma concreta para a manutenção da pureza extrema da água, sustentando a conformidade regulatória exigida pela indústria farmacêutica e pelas autoridades sanitárias.
Sensor Digital C4E
C4E
Descrição
O sensor C4E utiliza um sistema de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante. Essa tecnologia garante leituras precisas de condutividade e salinidade na maioria das aplicações de água, mesmo em condições desafiadoras.
Vantagens
Medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura
4 faixas de medição + 1 faixa automática
Baixo consumo de energia
Comunicação digital Modbus RS-485 (protocolo aberto)
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – C4E
A temperatura é um fator que afeta a medição de condutividade da água?
Sim. A temperatura influencia diretamente a condutividade da água. Por isso, os sensores de condutividade deste tipo contam com compensação automática de temperatura para garantir resultados precisos.
Com que frequência os sensores de condutividade precisam de recalibração e manutenção?
A tecnologia digital permite armazenar os dados de calibração no próprio sensor, o que reduz a necessidade de recalibrações frequentes. A manutenção usual inclui limpeza dos eletrodos, verificação de danos e calibração periódica, especialmente em ambientes com maior incrustação.
Os sensores suportam ambientes severos?
Sim. O conjunto sensor + eletrônica é projetado para operação em ambientes agressivos, com grau de proteção IP68 e materiais robustos para aplicações em diferentes tipos de água.
Qual a vantagem do sistema de 4 eletrodos no C4E?
O sistema de 4 eletrodos melhora a precisão em relação a células de 2 eletrodos, reduzindo efeitos de incrustação e polarização. Isso garante medições confiáveis em águas residuais, água potável e outros processos industriais.





