Sensor de TOC em potabilização

Sensor de TOC em potabilizacao

Em sistemas de potabilização por cloração, o risco regulatório e sanitário associado aos trihalometanos (THMs) não nasce na dosagem final de cloro, mas muito antes, na forma como a matéria orgânica natural dissolvida atravessa as etapas de tratamento. Essa matéria orgânica, tradicionalmente expressa como Carbono orgânico total (TOC), reage com o cloro livre e dá origem aos subprodutos de desinfecção. O ponto crítico é que a permanência dessa carga orgânica no processo não depende apenas de sua concentração inicial, mas da resposta físico-química da água às etapas de coagulação, filtração e oxidação, todas fortemente influenciadas pela composição iônica do meio.

Em ETAs que operam com mananciais superficiais sujeitos a eventos de chuva, variações sazonais, aporte de efluentes difusos e mudanças hidrológicas, pequenas alterações na água bruta podem deslocar rapidamente o equilíbrio do processo, elevando o risco de formação de THMs mesmo quando a desinfecção microbiológica é mantida.

Condutividade como variável de controle operacional crítico

Embora o TOC seja o parâmetro conceitual associado aos precursores de THMs, sua medição online direta nem sempre está disponível em todas as estações, seja por custo, complexidade analítica ou exigências de manutenção. Na prática operacional, o que se controla é a eficiência das etapas que removem a matéria orgânica, e essas etapas respondem diretamente às variações de condutividade da água.

A condutividade reflete a concentração de íons dissolvidos, a alcalinidade efetiva e a interação da água com os coagulantes. Alterações abruptas desse parâmetro deslocam o ponto ótimo de coagulação, comprometem a formação de flocos e aumentam a fração de orgânicos que alcança a etapa de desinfecção. Sem monitoramento contínuo, o operador tende a agir de forma reativa, elevando doses de cloro para garantir segurança microbiológica, o que amplia o risco de ultrapassar os limites legais de THMs definidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021.

Faixa operacional sensível e implicações regulatórias

Em sistemas de abastecimento público, a condutividade da água tratada situa-se normalmente entre dezenas e poucas centenas de µS/cm, dependendo do manancial e da combinação de fontes. É exatamente nessa faixa que pequenas variações produzem efeitos significativos sobre a remoção de matéria orgânica. Um aumento súbito de condutividade na água bruta ou logo após a mistura rápida pode indicar aporte de contaminantes, mudanças de alcalinidade ou a necessidade imediata de ajuste de dosagem de coagulante.

Do ponto de vista normativo, a legislação brasileira não impõe um limite direto para a condutividade, mas estabelece limites rigorosos para subprodutos da desinfecção, como os THMs. Assim, a condutividade assume o papel de parâmetro operacional indireto, essencial para manter o processo dentro de uma zona de controle estável que minimize a formação desses compostos. Desvios não detectados nessa faixa crítica resultam em perda de eficiência de remoção de orgânicos e aumento direto do risco regulatório.

Medição contínua integrada ao processo, não como acessório

Inserido diretamente na lógica operacional da ETA, o C4E digital sensor da Aqualabo fornece medições online e contínuas de condutividade, salinidade e temperatura, permitindo ao operador acompanhar em tempo real as condições que governam a remoção de matéria orgânica. Sua tecnologia de 4 eletrodos, operando com corrente alternada e tensão constante, garante estabilidade e confiabilidade mesmo diante de variações rápidas de qualidade da água, presença de incrustações moderadas e mudanças na composição iônica.

A compensação automática de temperatura elimina distorções associadas a variações térmicas, especialmente relevantes em linhas expostas a condições ambientais variáveis. A comunicação digital Modbus RS485, com protocolo aberto, possibilita integração direta aos sistemas de supervisão e automação da ETA, viabilizando alarmes, análise de tendências históricas e ações automáticas de ajuste de processo. O armazenamento interno dos dados de calibração permite operação plug & play, reduzindo intervenções e aumentando a disponibilidade do monitoramento.

Impactos diretos na estabilidade do tratamento e na continuidade do serviço

Ao fornecer um indicador robusto das condições iônicas do processo, o C4E não mede TOC diretamente, mas permite ao operador antecipar desvios que levariam à passagem de matéria orgânica residual para a desinfecção. Isso possibilita ajustes finos de coagulação, reduzindo a dependência de margens excessivas de cloro e equilibrando segurança microbiológica com controle químico.

Sua robustez construtiva, com grau de proteção IP68, viabiliza instalação permanente em canais, tubulações ou câmaras de medição, sem comprometer a confiabilidade. O baixo consumo de energia e a manutenção previsível, geralmente limitada à limpeza dos eletrodos em ambientes com tendência à incrustação, asseguram continuidade operacional. A medição simultânea de condutividade e temperatura fornece contexto suficiente para decisões baseadas em processo real, não em suposições empíricas.

Gestão preventiva do risco químico na potabilização

Na realidade das ETAs brasileiras, o controle de precursores de THMs raramente depende de um único analisador dedicado de TOC, mas de um conjunto integrado de variáveis operacionais monitoradas continuamente. Dentro dessa lógica, a condutividade se consolida como um parâmetro estratégico, diretamente ligado à eficiência de remoção de matéria orgânica e à estabilidade do tratamento.

O C4E digital sensor da Aqualabo se integra de forma consistente a esse modelo, oferecendo medições confiáveis, integração simples aos sistemas existentes e robustez compatível com as condições reais de campo. Ao permitir a identificação precoce de desvios e a correção do processo antes da intensificação da formação de THMs, o sensor atua como uma ferramenta de gestão do risco químico associado à desinfecção, contribuindo para o atendimento à legislação de potabilidade e para a proteção efetiva da saúde pública, sem comprometer a continuidade e a eficiência do serviço de abastecimento.

Sensor Digital C4E

Sensor Digital C4E

C4E

O sensor C4E utiliza um sistema de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante. Essa tecnologia garante leituras precisas de condutividade e salinidade na maioria das aplicações de água, mesmo em condições desafiadoras.

  • Medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura

  • 4 faixas de medição + 1 faixa automática

  • Baixo consumo de energia

  • Comunicação digital Modbus RS-485 (protocolo aberto)

  • Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)

  • Sensor com consumo de energia muito baixo

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – C4E

A temperatura é um fator que afeta a medição de condutividade da água?

Sim. A temperatura influencia diretamente a condutividade da água. Por isso, os sensores de condutividade deste tipo contam com compensação automática de temperatura para garantir resultados precisos.

A tecnologia digital permite armazenar os dados de calibração no próprio sensor, o que reduz a necessidade de recalibrações frequentes. A manutenção usual inclui limpeza dos eletrodos, verificação de danos e calibração periódica, especialmente em ambientes com maior incrustação.

 

Sim. O conjunto sensor + eletrônica é projetado para operação em ambientes agressivos, com grau de proteção IP68 e materiais robustos para aplicações em diferentes tipos de água.

 

O sistema de 4 eletrodos melhora a precisão em relação a células de 2 eletrodos, reduzindo efeitos de incrustação e polarização. Isso garante medições confiáveis em águas residuais, água potável e outros processos industriais.

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