Sensor de TOC em caldeiras

Sensor de TOC em caldeiras

Em sistemas de caldeiras industriais, a falha raramente começa com um evento abrupto. Ela se desenvolve a partir de desequilíbrios químicos progressivos, frequentemente associados à presença residual de matéria orgânica na água de alimentação ou de circulação interna. Quando submetidos às altas temperaturas e pressões típicas da geração de vapor — comuns em processos alimentícios, químicos, papel e celulose e utilidades industriais — esses compostos orgânicos sofrem decomposição térmica, originando ácidos orgânicos, CO₂ dissolvido e outros subprodutos reativos. Esses produtos alteram o equilíbrio químico, consomem alcalinidade e criam microambientes favoráveis à corrosão, especialmente em um cenário marcado por ciclos contínuos de concentração de sais, purga controlada (blowdown), variações térmicas rápidas e alto risco de incrustações.

Condutividade como variável operacional estratégica

Embora o TOC (Carbono Orgânico Total) represente o indicador direto da carga orgânica, a realidade operacional das caldeiras impõe outra lógica de controle. O monitoramento contínuo da condutividade elétrica da água é amplamente adotado como variável de processo central, pois reflete a pureza global da água e a concentração de contaminantes dissolvidos, incluindo aqueles derivados da degradação orgânica. Em circuitos fechados industriais, onde não existem limites normativos diretos de TOC estabelecidos por legislações ambientais como o CONAMA, são as normas de engenharia de caldeiras e práticas operacionais internas que definem faixas rigorosas de condutividade para prevenir corrosão, incrustação e arraste (carryover).

Risco operacional em caldeiras de média e alta pressão

Em caldeiras de média e alta pressão, pequenos desvios operacionais na condutividade podem desencadear consequências severas. O aumento gradual da concentração de sais e subprodutos dissolvidos interfere diretamente na estratégia de purga, favorecendo arraste de água para o vapor e resultando em contaminação de turbinas e trocadores de calor. Além disso, os compostos ácidos gerados pela decomposição orgânica reduzem o pH local, intensificam a corrosão sob depósitos e comprometem a integridade metalúrgica de tubos, tambores e acessórios. O desafio técnico não está apenas em medir, mas em detectar continuamente tendências de aumento de contaminantes, que indiquem falhas no tratamento de água, ruptura em resinas de troca iônica ou entrada indesejada de matéria orgânica no sistema.

Faixas operacionais e limites técnicos internos

Nas aplicações de caldeiras, a condutividade da água é mantida em faixas muito mais restritas do que a capacidade máxima de qualquer sensor disponível. Em sistemas de baixa e média pressão, variações relativamente pequenas já são suficientes para indicar acúmulo de impurezas. Esses incrementos graduais são particularmente críticos porque, sob aquecimento, favorecem reações de decomposição orgânica. Desvios acima da faixa operacional definida pelo projeto químico da caldeira sinalizam ineficiência da purga ou degradação da qualidade da água de reposição, criando condições propícias para falhas progressivas do sistema.

Monitoramento contínuo integrado ao controle químico

Dentro desse contexto operacional, o sensor digital C4E da Aqualabo não atua como um elemento isolado, mas como parte integrante da estratégia de estabilidade química da caldeira. Baseado em um sistema de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante, o sensor foi desenvolvido para garantir medições estáveis de condutividade, salinidade e temperatura, mesmo em ambientes industriais severos, caracterizados por tendência à incrustação e variações térmicas intensas. A compensação automática de temperatura é essencial nesse cenário, pois elimina distorções associadas ao aquecimento da água, assegurando que aumentos reais de condutividade, frequentemente ligados ao acúmulo de contaminantes e subprodutos orgânicos, sejam corretamente identificados.

Integração, automação e confiabilidade operacional

A comunicação digital via Modbus RS 485, utilizando protocolo aberto, permite que o C4E seja integrado diretamente aos sistemas de automação e controle químico da caldeira. Isso viabiliza ações automáticas de purga, ajustadas em tempo real, antes que a concentração de compostos dissolvidos atinja níveis críticos. O baixo consumo de energia e o armazenamento interno dos dados de calibração contribuem para uma operação contínua e confiável, reduzindo a necessidade de intervenções manuais em áreas onde a disponibilidade operacional é um requisito crítico.

Impacto direto na estabilidade do processo e nos custos operacionais

O uso contínuo do C4E digital sensor permite detectar precocemente tendências de aumento de condutividade associadas à entrada de matéria orgânica ou falhas no tratamento de água, funcionando como uma barreira preventiva contra a decomposição orgânica térmica. Esse controle resulta em maior estabilidade química, redução da corrosão interna e prolongamento da vida útil dos componentes da caldeira. Do ponto de vista de eficiência, a gestão precisa da purga evita tanto purgas excessivas, que elevam o consumo de água e energia, quanto purgas insuficientes, que aumentam o risco operacional. A confiabilidade em condições severas e a manutenção simplificada reduzem paradas não programadas e custos de manutenção corretiva.

Aplicação alinhada à realidade técnica das caldeiras

Embora o controle direto de TOC em caldeiras seja tecnicamente desejável, a condutividade permanece como a variável operacional mais eficaz para prevenir os efeitos da decomposição orgânica em sistemas de geração de vapor. Inserido na lógica real de operação, o C4E digital sensor da Aqualabo fornece medições confiáveis exatamente na faixa onde pequenas variações têm grande impacto. Ao permitir o controle rigoroso da concentração de contaminantes dissolvidos, o sensor contribui diretamente para evitar a formação de subprodutos ácidos, proteger a integridade do equipamento e garantir a continuidade operacional. Em um ambiente sem limites legais específicos, mas com exigências técnicas rigorosas de desempenho e segurança, a instrumentação online robusta deixa de ser opcional e se torna um elemento decisivo da engenharia de utilidades industriais.

Sensor Digital C4E

Sensor Digital C4E

C4E

O sensor C4E utiliza um sistema de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante. Essa tecnologia garante leituras precisas de condutividade e salinidade na maioria das aplicações de água, mesmo em condições desafiadoras.

  • Medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura

  • 4 faixas de medição + 1 faixa automática

  • Baixo consumo de energia

  • Comunicação digital Modbus RS-485 (protocolo aberto)

  • Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)

  • Sensor com consumo de energia muito baixo

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – C4E

A temperatura é um fator que afeta a medição de condutividade da água?

Sim. A temperatura influencia diretamente a condutividade da água. Por isso, os sensores de condutividade deste tipo contam com compensação automática de temperatura para garantir resultados precisos.

A tecnologia digital permite armazenar os dados de calibração no próprio sensor, o que reduz a necessidade de recalibrações frequentes. A manutenção usual inclui limpeza dos eletrodos, verificação de danos e calibração periódica, especialmente em ambientes com maior incrustação.

 

Sim. O conjunto sensor + eletrônica é projetado para operação em ambientes agressivos, com grau de proteção IP68 e materiais robustos para aplicações em diferentes tipos de água.

 

O sistema de 4 eletrodos melhora a precisão em relação a células de 2 eletrodos, reduzindo efeitos de incrustação e polarização. Isso garante medições confiáveis em águas residuais, água potável e outros processos industriais.

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