Em uma operação de piscicultura intensiva ou semi-intensiva, os maiores riscos raramente se manifestam de forma abrupta. Eles se acumulam de maneira silenciosa na coluna d’água, especialmente na forma de material particulado em suspensão. Viveiros escavados, tanques-rede e sistemas de recirculação aquícola (RAS) operam sob aeração intensa, circulação forçada, renovação parcial e manejo frequente, condições que mantêm a água em constante movimento. Nesse cenário, medições pontuais deixam de representar a realidade do processo. A geração contínua de partículas oriundas de ração não consumida, fezes, bioflocos, algas e minerais ressuspendidos altera simultaneamente a transparência da água, o consumo indireto de oxigênio e o estado fisiológico dos peixes. A estabilidade do sistema passa a depender diretamente da capacidade de acompanhar essa dinâmica em tempo real.
Material particulado como fator fisiológico e não apenas visual
O excesso de SST – Sólidos Suspensos Totais não pode ser tratado como simples turbidez estética. Na piscicultura, ele interfere diretamente na alimentação, na respiração e na sanidade dos organismos cultivados. Concentrações elevadas reduzem a penetração de luz, alteram a fotossíntese do fitoplâncton e modificam o comportamento alimentar dos peixes. Partículas finas aumentam a abrasão mecânica das brânquias, sobretudo em espécies mais sensíveis. Do ponto de vista microbiológico, o particulado orgânico atua como substrato para bactérias heterotróficas, elevando a demanda bioquímica de oxigênio e ampliando o risco de quedas súbitas de OD – oxigênio dissolvido, especialmente durante a noite. O impacto é sistêmico: sem controle contínuo, decisões sobre arraçoamento, sifonagem, aeração e renovação de água tornam-se reativas e imprecisas.
Faixas operacionais reais e limites biológicos do sistema
Diferentemente de outros setores industriais, a piscicultura não opera sob um limite legal único de SST para a água de cultivo. Normas como a Resolução CONAMA nº 357/2005 se aplicam a corpos d’água receptores, não a viveiros produtivos. Assim, o controle de SST se baseia em limites operacionais e biológicos reconhecidos pelo setor aquícola. Sistemas estáveis mantêm turbidez associada a faixas de SST que não induzam estresse respiratório nem limitem a visibilidade para alimentação. Em viveiros escavados e tanques-rede, aumentos progressivos de turbidez indicam acúmulo de sólidos orgânicos finos, geralmente relacionados a excesso de ração ou baixa eficiência de degradação. Pequenas variações são críticas: incrementos modestos de SST podem gerar aumento significativo da carga bacteriana e maior consumo de oxigênio. Em RAS, a sensibilidade é ainda maior, pois o particulado compromete diretamente a eficiência de filtros mecânicos e biológicos.
Monitoramento contínuo como ferramenta de equilíbrio do processo
É nesse ponto que a medição deixa de ser um dado isolado e passa a atuar como instrumento de controle do equilíbrio entre carga orgânica gerada e capacidade de remoção. O uso de medições ópticas contínuas de turbidez permite identificar desvios graduais ainda dentro da faixa operacional real do sistema. O sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo está inserido nesse contexto operacional ao empregar o princípio nefelométrico por dispersão de luz infravermelha a 90°, tecnologia que minimiza interferências da cor da água e mantém leituras estáveis mesmo com alta matéria orgânica. A possibilidade de leitura em NTU ou em mg/L de MES (0–4500 mg/L) facilita a correlação direta com SST, tornando o sinal imediatamente utilizável para decisões de manejo.
Confiabilidade da medição em ambientes aquícolas reais
Ambientes de piscicultura impõem desafios específicos à instrumentação: bioincrustação, biofilme, bolhas de ar e altas cargas orgânicas são condições permanentes, não exceções. Por isso, o sensor possui construção robusta, submersível (IP68), permitindo instalação contínua em viveiros, tanques de processo ou canais de recirculação. A compatibilidade com o sistema de limpeza automática HYDROCLEAN reduz significativamente desvios de leitura e a necessidade de manutenção manual, mantendo a confiabilidade do dado ao longo do tempo. A comunicação digital aberta MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 viabiliza integração direta com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, permitindo alarmes automáticos quando a turbidez ultrapassa os limites operacionais definidos pelo responsável técnico.
Padronização do manejo e redução de risco zootécnico
Com dados contínuos e rastreáveis, o controle de SST deixa de depender da avaliação visual subjetiva e passa a sustentar um manejo padronizado e quantitativo. O monitoramento permite antecipar desvios, ajustando a taxa de alimentação antes que ocorra desperdício de ração ou sobrecarga orgânica. Em sistemas com renovação ou recirculação, o sinal de turbidez auxilia na otimização do uso de água e na avaliação objetiva da eficiência dos filtros mecânicos. O histórico de dados pode ser correlacionado com desempenho zootécnico, incidência de doenças e eventos de mortalidade, criando uma base técnica sólida para decisões futuras. O baixo consumo de energia e a robustez do equipamento tornam o monitoramento viável inclusive em unidades remotas, reduzindo riscos associados a falhas súbitas de qualidade da água.
Instrumentação como elemento estrutural da piscicultura moderna
Na piscicultura atual, o controle de SST não é acessório nem secundário: ele sustenta a estabilidade do processo, a sanidade dos peixes e a previsibilidade produtiva. A variabilidade natural da carga orgânica, combinada ao manejo intensivo, torna inadequado qualquer modelo baseado apenas em medições esporádicas. Integrado à operação, o sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo transforma a dinâmica do material particulado em informação acionável, permitindo atuação preventiva antes que ocorram impactos biológicos ou perdas econômicas. Mesmo sem limites legais específicos para viveiros, o monitoramento sistemático de SST consolida-se como prática de boa gestão aquícola, alinhada à sustentabilidade e eficiência operacional. A instrumentação adequada deixa de ser custo e passa a ser infraestrutura estratégica, sustentando decisões técnicas baseadas em dados confiáveis e contínuos.
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





