A estabilidade do tratamento biológico em uma ETE não é determinada apenas pelo reator, mas pela capacidade do sistema em reter a biomassa ativa após o tratamento. A clarificação secundária é o ponto onde essa estabilidade é confirmada ou perdida. Qualquer variação não controlada na separação sólido-líquido resulta em perda de lodo biológico, desequilíbrio da idade do lodo e degradação progressiva do processo. Nesse ambiente, a clarificação deixa de ser uma etapa passiva e passa a ser um elemento crítico de controle operacional, diretamente ligado à continuidade do serviço, à qualidade do efluente e à conformidade ambiental.
Condições operacionais que pressionam a clarificação
O decantador secundário opera sob condições severas e dinâmicas: flocos biológicos frágeis, variações hidráulicas ao longo do dia, cargas orgânicas flutuantes e tendência constante à deposição de sólidos em superfícies submersas. Pequenas perdas de eficiência não são imediatamente visíveis, mas se manifestam como aumentos graduais de total de sólidos suspensos (SST) no efluente clarificado. Esses incrementos elevam a carga sobre o tratamento terciário, afetam a desinfecção e aumentam o risco de não conformidade ambiental. Nesse cenário, confiar apenas em análises laboratoriais — pontuais e atrasadas — compromete a capacidade de resposta do operador frente a desvios operacionais em tempo real.
Risco regulatório e impacto operacional indireto
Embora a legislação brasileira não estabeleça um limite direto de turbidez para efluentes sanitários, as licenças ambientais impõem limites claros para SST, alinhados à Resolução CONAMA nº 430/2011. Assim, qualquer instabilidade na clarificação representa um risco regulatório indireto. A turbidez passa a ser utilizada como variável operacional substituta, correlacionada aos matéria em suspensão (MES)/SST, permitindo controle contínuo mesmo na ausência de um parâmetro legal explícito. O risco não está nos eventos extremos, mas na incapacidade de detectar desvios sutis e progressivos, que antecedem o arraste visível de sólidos e a perda de conformidade.
Faixa crítica de controle: onde pequenas variações importam
Na clarificação secundária, a faixa operacional relevante de turbidez e SST é estreita. Em condições estáveis, o efluente clarificado apresenta turbidez baixa, normalmente associada a concentrações de MES inferiores a algumas dezenas de mg/L. Incrementos aparentemente modestos indicam aumentos significativos de sólidos finos em suspensão, refletindo flocos mal formados, excesso de cisalhamento, idade de lodo inadequada ou sobrecarga hidráulica. O controle eficiente depende da capacidade de monitorar variações contínuas dentro dessa faixa, e não da leitura de valores máximos ocasionais. É nesse intervalo sensível que a medição óptica se torna uma ferramenta de controle de processo, e não apenas de diagnóstico.
Integração da medição óptica à operação do decantador
A medição contínua de turbidez por sensores ópticos online permite capturar desvios em tempo real, algo inviável por métodos laboratoriais. Inserido diretamente no contexto operacional da saída do decantador, o sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo atua como um elemento funcional do controle da clarificação. Baseado no princípio nefelométrico com luz infravermelha a 90°, mantém estabilidade de leitura mesmo em efluentes com flocos biológicos e variações de cor. A conversão direta da medição para MES (0–4500 mg/L) permite correlação imediata com SST, facilitando a interpretação técnica e a comparação com dados laboratoriais existentes.
Robustez construtiva e confiabilidade em ambiente severo
Projetado para ambientes típicos de ETEs, o sensor possui construção submersível IP68, permitindo instalação direta em canais de saída de decantadores ou câmaras de efluente clarificado. Onde o biofouling é inevitável, o acessório HYDROCLEAN assegura a limpeza automática da janela óptica, preservando a confiabilidade da medição e reduzindo intervenções manuais. A comunicação digital MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 possibilita integração direta com sistemas supervisórios, permitindo estratégias de controle em tempo real baseadas em dados contínuos, com baixo consumo de energia e elevada robustez mecânica.
Controle ativo da clarificação e estabilidade do processo
Com dados contínuos de turbidez correlacionados a SST, a clarificação deixa de ser uma etapa reativa. O operador passa a identificar tendências de arraste de sólidos antes da ocorrência de não conformidades, ajustando recirculação de lodo, taxa de escoamento superficial e carga aplicada ao sistema biológico. A redução da dependência exclusiva de análises laboratoriais elimina atrasos e melhora a resposta a eventos transitórios. A estabilidade do efluente clarificado protege etapas posteriores, como desinfecção ou filtração, e reduz o risco de penalidades regulatórias associadas à variabilidade do processo.
Clarificação controlada como elemento estrutural da ETE
Controlar SST na clarificação significa preservar a biomassa, proteger o tratamento biológico e garantir a continuidade operacional da ETE. A turbidez, quando monitorada de forma contínua e interpretada como variável de processo, torna-se um indicador sensível e estratégico. O sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo, com tecnologia infravermelha nefelométrica, leitura em MES, comunicação digital aberta e opção de autolimpeza, atende às exigências práticas desse ambiente severo. Sua aplicação está focada na confiabilidade dentro da faixa crítica de operação, onde pequenas variações definem o desempenho do sistema. Nesse contexto, a instrumentação de SST deixa de ser acessória e passa a integrar a arquitetura funcional do processo de clarificação.
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





