Sensor de SST em aterros

Sensor de SST em aterros

Antes mesmo de qualquer etapa de tratamento, o chorume já impõe ao aterro sanitário um desafio estrutural: trata-se de um efluente de alta carga orgânica, com elevada concentração de sólidos e comportamento altamente variável. Essa variabilidade não é aleatória — ela resulta diretamente da idade do aterro, do regime de chuvas, do tipo de resíduo disposto e da eficiência do sistema de drenagem. À medida que o chorume percorre drenos, caixas de coleta, lagoas de equalização e unidades de tratamento físico-químico ou biológico, a carga sólida transportada passa a ser um fator determinante para a continuidade e a integridade da operação.

Nesse ambiente quimicamente agressivo, biologicamente instável e fisicamente complexo, a ausência de visibilidade contínua sobre os sólidos suspensos to tais (SST) compromete a previsibilidade do processo. Pequenas alterações nessa variável podem desencadear uma cadeia de impactos que ultrapassa o limite da simples medição analítica.

SST como variável crítica de risco operacional

Os SST estão diretamente associados ao arraste de partículas orgânicas e inorgânicas, à formação de incrustações, ao assoreamento de tanques, ao entupimento de tubulações e ao desgaste prematuro de bombas. Em sistemas de tratamento subsequentes, especialmente os biológicos, o excesso de material particulado pode levar à perda de eficiência e à instabilidade do processo.

O desafio técnico se agrava porque o ambiente de medição apresenta alta turbidez, presença de bolhas, formação de biofilme, incrustações e exige operação submersa e contínua. Instrumentos inadequados falham não apenas por erro de leitura, mas por incapacidade de manter estabilidade metrológica ao longo do tempo. Assim, o monitoramento de SST deixa de ser uma função de laboratório e se torna uma necessidade operacional em tempo real.

Limitações da amostragem pontual e perda de visibilidade do processo

A principal fragilidade do monitoramento convencional de SST em chorume está na dependência de amostragens pontuais em laboratório. Além de demoradas, essas análises não capturam variações rápidas provocadas por chuvas intensas, colapsos de drenos ou ressuspensão de sólidos acumulados. Quando o resultado analítico chega, o evento crítico já ocorreu.

Essas variações súbitas podem causar sobrecarga hidráulica e física, falhas mecânicas e danos em cascata nos sistemas de tratamento. Em aterros de médio e grande porte, onde o volume e a carga do chorume variam significativamente ao longo do tempo, a falta de monitoramento contínuo expõe o operador a custos elevados de manutenção corretiva, instabilidade operacional e risco regulatório.

Faixas operacionais onde o SST deixa de ser tolerável

Em termos práticos, o interesse operacional não está na faixa teórica máxima de medição, mas nas zonas críticas onde pequenas variações têm grande impacto. Em condições típicas, o chorume apresenta SST na ordem de centenas a alguns milhares de mg/L, especialmente após eventos de chuva ou em aterros mais jovens, com elevada fração orgânica particulada.

Valores acima de aproximadamente 500 mg/L já sinalizam aumento significativo do risco de deposição de sólidos em linhas de recalque e tanques. Quando as concentrações se aproximam ou ultrapassam 2000–3000 mg/L, há comprometimento severo de processos físico-químicos e biológicos subsequentes. Nessa faixa, o SST passa a atuar como um limitador direto da capacidade operacional do sistema.

SST, eficiência de tratamento e exigências regulatórias

Embora não exista limite legal específico para SST em chorume bruto, a variável assume papel estratégico quando o efluente tratado é destinado ao lançamento. A Resolução CONAMA nº 430 exige que o sistema demonstre eficiência e controle do processo, e o SST é amplamente utilizado como indicador operacional de desempenho.

A ausência de dados contínuos dificulta comprovar conformidade e antecipar desvios que possam resultar em não conformidades ambientais. O controle rigoroso das faixas críticas de SST permite ajustes preventivos em recirculação, equalização e dosagem química, antes que o impacto chegue ao ponto de lançamento. Assim, o SST deixa de ser apenas um número e passa a ser uma variável de governança ambiental do aterro.

Inserção do sensor no fluxo real do chorume

É nesse cenário operacional que o sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo se integra ao processo, não como um bloco isolado, mas como parte do fluxo contínuo do chorume. Instalado diretamente em caixas de coleta, tanques de equalização ou canais de transferência, o sensor atua no monitoramento indireto de SST por meio do princípio nefelométrico, com dispersão de luz infravermelha a 90°.

A escolha da tecnologia infravermelha é determinante em meios escuros e altamente carregados, como o chorume, pois reduz significativamente a interferência da cor e de variações ópticas. A leitura pode ser convertida para mg/L de MES (0–4500 mg/L), permitindo correlação direta com a concentração real de sólidos suspensos totais relevantes para o processo.

Robustez, continuidade de medição e integração operacional

A construção submersível IP68 garante operação contínua em ambientes agressivos, atendendo às exigências físicas do aterro. Onde a formação de biofilme e incrustações é inevitável, a integração com o sistema de limpeza automática HYDROCLEAN reduz a perda de sinal e minimiza intervenções manuais, preservando a confiabilidade da medição ao longo do tempo.

A comunicação por MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 permite integração direta com CLPs, dataloggers e sistemas supervisórios já utilizados na gestão do aterro. Dessa forma, os dados de SST deixam de ser apenas informativos e passam a alimentar estratégias automáticas de controle, alarmes operacionais e registros históricos, mesmo em sistemas remotos ou com energia limitada, graças ao baixo consumo de energia do sensor.

Controle contínuo como ferramenta de estabilidade do sistema

Com dados online de SST, o operador ganha a capacidade de antecipar desvios, identificando rapidamente aumentos anormais na carga sólida antes que estes causem falhas mecânicas ou sobrecarga das unidades de tratamento. Ajustes em tempos de retenção, recirculações e equalização podem ser realizados de forma proativa, reduzindo paradas não programadas e custos de manutenção corretiva.

Além disso, o histórico contínuo de dados fortalece a posição do operador frente aos órgãos ambientais, funcionando como evidência técnica de controle operacional e diligência, especialmente quando há lançamento de efluente tratado ou envio para sistemas externos. A instrumentação passa a atuar como um elemento de mitigação de risco, e não apenas de medição.

SST como variável estratégica na sustentabilidade do aterro

Na realidade operacional dos aterros sanitários, o monitoramento de SST em chorume é um dos principais fatores de estabilidade do processo, proteção de ativos e segurança ambiental. A elevada variabilidade do efluente, combinada com a agressividade do meio e as exigências regulatórias, exige soluções online robustas, integráveis e tecnicamente coerentes com o ambiente.

Ao fornecer medição nefelométrica por infravermelho, leitura convertível em mg/L de MES, construção IP68, limpeza automática e comunicação digital aberta, o sensor de turbidez NTU da Aqualabo se insere como um componente estrutural da gestão do chorume. Mais do que medir, ele sustenta decisões operacionais baseadas em evidência, reduz riscos, otimiza o tratamento e reforça a sustentabilidade técnica e ambiental da operação do aterro.

Sensor NTU

NTU – Sensor digital de turbidez

Sensor NTU

A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.

 

  • Tecnologia infravermelha de fibra óptica

  • Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)

  • Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)

  • Construção robusta e submersível (IP68)

  • Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN

  • Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)

  • Sensor com consumo de energia muito baixo

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – NTU

Como calibrar um sensor de turbidez?

A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.

É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.

 

Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.

 

O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.

 

A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.

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