Em operações de mineração, a estabilidade do processo depende diretamente da capacidade de controlar, em tempo real, a concentração de sólidos suspensos que circula entre lavra, beneficiamento, espessamento, transporte hidráulico e disposição de rejeitos. Antes mesmo de qualquer avaliação ambiental, esse parâmetro define o comportamento hidráulico do sistema, o desempenho dos espessadores, o desgaste de bombas e tubulações e a segurança de barragens e linhas de retorno. A água de processo não é um fluido neutro: ela carrega sólidos abrasivos, sofre variações rápidas de concentração e opera em ambientes submersos, agressivos e sujeitos a sedimentação, arraste excessivo, bolhas e incrustações. Nesse cenário, a medição contínua de sólidos deixa de ser um indicador de qualidade e passa a ser um parâmetro de controle direto do processo mineral, exigindo instrumentação robusta, estável e integrada à automação industrial, com mínima intervenção manual.
Risco operacional associado à variação não controlada de sólidos suspensos
O problema técnico central em sistemas de rejeitos é a variação não controlada da concentração de sólidos suspensos nos fluxos hidráulicos. Quando essa concentração ultrapassa o intervalo de controle esperado, surgem impactos imediatos: sobrecarga em espessadores, aumento do torque e do desgaste mecânico, perda de eficiência na recirculação de água clarificada e risco de descarte fora das condições permitidas. Em sentido oposto, concentrações excessivamente baixas podem indicar falhas na separação sólido-líquido ou diluição excessiva, reduzindo a eficiência global da planta. Em barragens, tanques de decantação e linhas de retorno, a ausência de monitoramento contínuo impede respostas rápidas a eventos críticos como rompimento de flocos, ressuspensão de sólidos ou falhas mecânicas. Medições pontuais em laboratório não capturam a dinâmica do processo, tornando inviável o controle em tempo real. O desafio técnico não é apenas medir turbidez, mas correlacionar essa medição com sólidos suspensos reais do rejeito, de forma representativa e estável, mesmo em condições severas.
Faixas críticas, limites regulatórios e pontos de instabilidade do processo
O parâmetro monitorado é a concentração de sólidos suspensos, acompanhada indiretamente por turbidez e, quando necessário, expressa em mg/L de MES. Diferentemente de aplicações em água potável, as faixas relevantes em mineração são elevadas: variam de algumas centenas até alguns milhares de mg/L, conforme a etapa do processo. Em linhas internas de rejeito e underflow de espessadores, variações de algumas centenas de mg/L já indicam perda de eficiência de floculação, falhas no adensamento ou início de instabilidade hidráulica, mesmo sem um limite legal direto. Nessas condições, o projeto do sistema define limites operacionais acima dos quais ocorrem sedimentação indesejada, aumento de torque e risco operacional. Já em linhas de retorno de água clarificada e pontos de descarte, o impacto regulatório se torna determinante: a Resolução CONAMA 430/2011 estabelece concentração máxima de 100 mg/L de sólidos suspensos totais para lançamento de efluentes, salvo enquadramentos específicos. Pequenas variações próximas a esse limite têm efeito direto na conformidade legal, tornando o monitoramento contínuo essencial.
Instrumentação integrada ao ambiente severo de rejeitos
Dentro desse contexto operacional, a medição online precisa ocorrer diretamente em ambientes submersos, com alta carga de sólidos, partículas abrasivas e grande potencial de incrustação. O sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo é inserido nesse fluxo como parte do sistema de controle, e não como um bloco isolado de produto. Baseado no princípio nefelométrico por dispersão de luz infravermelha a 90°, o sensor apresenta maior estabilidade em meios opacos e reduz interferências causadas pela cor da água, característica crítica em rejeitos de mineração. A possibilidade de trabalhar com faixas ajustáveis e converter a leitura para mg/L de MES permite alinhar o sinal do instrumento às necessidades reais do processo, seja no controle de espessadores, seja na verificação contínua antes do descarte. Sua construção submersível IP68 viabiliza instalação direta em tanques, canais ou tubulações, eliminando a necessidade de by-pass complexos em ambientes agressivos.
Continuidade da medição e confiabilidade ao longo do tempo
Em linhas de rejeito e tanques de decantação, a deposição de material fino, a formação de incrustações e a presença de bolhas comprometem rapidamente sensores convencionais. Para manter a confiabilidade da leitura ao longo do tempo, o sensor NTU pode operar com o acessório HYDROCLEAN de limpeza automática, que reduz a perda de sinal óptico e a necessidade de manutenção frequente. Essa característica é fundamental em pontos remotos da planta, onde intervenções manuais são inviáveis. A comunicação digital aberta via MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 permite integração direta com CLPs, sistemas supervisórios e dataloggers, viabilizando alarmes em tempo real, registros históricos contínuos e ações corretivas imediatas sempre que limites operacionais ou legais são ultrapassados.
Impactos diretos no controle de processo e na gestão ambiental
A incorporação do monitoramento contínuo de turbidez e sólidos transforma a operação. Do ponto de vista do processo, permite ajustes imediatos na dosagem de floculantes, no tempo de residência dos espessadores e na recirculação de água, evitando perda de eficiência e desgaste prematuro de equipamentos. A estabilidade da medição reduz a dependência de amostragem manual e análises laboratoriais demoradas, que não refletem a dinâmica real do sistema. Em termos ambientais, o acompanhamento contínuo da concentração de sólidos antes do lançamento fortalece o controle sobre o atendimento à CONAMA 430/2011, reduzindo riscos de não conformidade e penalidades. A geração de históricos confiáveis suporta auditorias, relatórios ambientais e decisões baseadas em dados, enquanto o baixo consumo de energia e a robustez do sensor favorecem sua aplicação contínua em ambientes remotos e severos.
Síntese aplicada à realidade da mineração moderna
O controle de sólidos em mineração não é uma atividade acessória: ele sustenta a continuidade operacional, a segurança do processo e a conformidade regulatória. Ao inserir a medição de turbidez como variável operacional confiável, o sensor NTU da Aqualabo permite atuar exatamente nas faixas críticas, onde pequenos desvios representam grandes riscos — seja próximo aos limites legais de descarte, seja nos pontos de instabilidade do processo interno. A combinação de tecnologia óptica infravermelha, robustez mecânica, operação submersível IP68, limpeza automática e integração digital transforma um parâmetro historicamente difícil de controlar em uma ferramenta ativa de gestão. Assim, a medição deixa de ser genérica e passa a contribuir diretamente para o controle da carga de sólidos, a eficiência do uso da água e a previsibilidade do comportamento dos rejeitos, atendendo às exigências reais das operações minerais contemporâneas.
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





