A estabilidade química da água, especialmente do pH, é um dos fatores mais sensíveis e determinantes para a sobrevivência dos peixes em viveiros, lagos artificiais e tanques escavados. Pequenas variações fora da faixa fisiologicamente tolerável afetam diretamente as trocas gasosas e iônicas realizadas pelas brânquias, comprometendo a respiração, a excreção de CO₂ e o equilíbrio da amônia. Em sistemas de criação intensiva, onde a carga orgânica evolui continuamente, a manutenção dessa estabilidade deixa de ser um ajuste pontual e passa a ser um desafio técnico permanente, fortemente influenciado por fenômenos físicos e biogeoquímicos que nem sempre são visíveis na superfície da água.
Dinâmica térmica e acúmulo químico no fundo dos viveiros
Ao longo do ciclo produtivo, a alimentação intensiva, a excreção dos peixes e a deposição de restos de ração promovem o acúmulo de matéria orgânica no fundo dos viveiros. A decomposição desse material consome oxigênio e libera CO₂ e gases ácidos, criando uma zona inferior quimicamente instável. Em condições normais, a estratificação térmica mantém essa camada isolada da superfície, preservando a região onde os peixes se concentram. Entretanto, variações climáticas bruscas rompem esse equilíbrio, desencadeando a inversão térmica, fenômeno no qual as camadas se misturam e redistribuem rapidamente os compostos acumulados na coluna d’água.
Inversão térmica como gatilho de acidificação súbita
Quando ocorre a inversão térmica, o CO₂ dissolvido e outros compostos ácidos ressuspendidos atingem a zona superficial, provocando uma queda abrupta do pH exatamente no ambiente onde os peixes respiram. O intervalo de pH entre 6 e 9 é considerado adequado para a fisiologia dos peixes; fora dessa faixa, as funções respiratórias são comprometidas, dificultando a eliminação de CO₂ e amônia. Além disso, alterações de pH modificam o equilíbrio químico da amônia, aumentando a fração mais tóxica. Como esse processo ocorre de forma súbita e frequentemente durante a noite, a ausência de monitoramento contínuo faz com que o problema seja percebido apenas quando já há estresse severo ou mortalidade.
Leitura contínua como ferramenta de antecipação do risco
Nesse cenário, a medição contínua de pH e temperatura torna-se um elemento técnico central para antecipar eventos críticos. O acompanhamento das tendências permite identificar desvios progressivos antes que o ambiente atinja condições letais. Diferenças térmicas da ordem de 5 °C entre camadas já indicam risco elevado de inversão térmica, funcionando como um sinal de alerta precoce. A correlação direta entre variações de temperatura e quedas de pH fornece um diagnóstico operacional claro do início do processo de mistura das camadas, quando ainda há tempo para intervenção.
Integração do sensor no controle operacional do viveiro
O sensor digital de pH, ORP e temperatura PHEHT & PHT da Aqualabo está inserido diretamente nesse contexto operacional, atuando como elemento de detecção precoce da instabilidade química. Suas leituras contínuas de pH e temperatura permitem acompanhar o comportamento da água ao longo do dia e do ciclo produtivo, identificando rapidamente desvios da faixa adequada à sobrevivência dos peixes. A comunicação Modbus RS485 possibilita a integração com sistemas de automação e o registro contínuo dos dados, enquanto o cartucho Plastogel substituível assegura estabilidade de medição e reduz a necessidade de manutenção, mesmo em ambientes com alta carga orgânica e presença constante de detritos.
Controle do risco operacional e previsibilidade produtiva
O uso de um sensor de pH online na piscicultura reduz significativamente o risco operacional associado à inversão térmica. A vigilância contínua do pH dentro da faixa crítica de 6 a 9 permite intervenções antecipadas antes que a acidificação comprometa a fisiologia dos peixes. A disponibilidade de dados históricos fortalece a tomada de decisão, possibilitando ajustes mais precisos e consistentes ao longo do ciclo produtivo. Com isso, o sistema torna-se mais previsível, o ambiente mais estável e o estresse dos peixes é reduzido, minimizando perdas econômicas decorrentes de eventos súbitos de degradação da qualidade da água.
Monitoramento contínuo como base do manejo moderno
Na criação de peixes, a inversão térmica associada à acidificação da água representa um dos desafios técnicos mais críticos do manejo hídrico. A observação visual não é suficiente para detectar esse fenômeno a tempo. A integração da medição contínua de pH e temperatura transforma o manejo em um processo preventivo e orientado por dados, no qual decisões são tomadas antes que o ambiente se torne hostil. O sensor PHEHT & PHT da Aqualabo fornece informações técnicas essenciais para identificar desvios do pH ideal e variações térmicas indicativas de risco, consolidando-se como um elemento estrutural de controle de processo, alinhado às exigências de estabilidade, segurança e sustentabilidade da piscicultura moderna.
Sensor digital PHEHT & PHT
pH
Descrição
O sensor de ponta PHEHT & PHT se destaca na medição de pH, ORP (Redox) e temperatura ou parâmetros de pH/temperatura. Projetado para condições desafiadoras, ele conta com eletrodo de longa duração, tecnologia digital e protocolo Modbus RS485 para uma integração simples e confiável.
Vantagens
Sensor combinado: pH, Redox & Temperatura ou pH/Temperatura
Faixas de medição:
pH: 0,00 a 14,00 pH
Redox: –1000 a +1000 mV
Temperatura (T°C): 0°C a +50,00°C
Cartucho Plastogel substituível
Comunicação digital Modbus RS-485
Arquivos
Documentação do sensor PHEHT & PHT
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FAQSensor digital PHEHT & PHT
Como calibrar o sensor PHEHT?
A calibração envolve ajustar as leituras do sensor a um padrão conhecido. O sensor de pH pode ser calibrado em até 5 pontos, embora aplicações comuns precisem apenas de 2 ou 3 pontos de calibração. O ORP é calibrado em 2 pontos. Os valores de todos os pontos de calibração para ambos os parâmetros são escolhidos pelo usuário. Isso permite que o sensor PHEHT seja calibrado próximo ao nível de trabalho esperado, aumentando a precisão para uma aplicação específica.
A sonda PHEHT pode ser usada tanto de forma portátil quanto online?
Sim. Projetada para uso portátil (handheld) e instalações em campo (in situ), a sonda de pH/ORP se destaca em condições desafiadoras, oferecendo resposta rápida, baixa dependência de fluxo e baixo consumo de energia.
Como fazer a manutenção e limpeza do sensor PHEHT?
A limpeza é feita mergulhando o eletrodo em uma solução de limpeza especial. O eletrodo deve ser mantido limpo e a calibração deve ser verificada regularmente e ajustada com o tempo. Quando o eletrólito se esgota (normalmente em 12 a 18 meses), basta trocar o cartucho substituível por um novo e o sensor estará pronto para uso novamente.
A sonda PHEHT é compatível com dispositivos de terceiros?
Sim. A sonda utiliza o protocolo aberto e universal Modbus RS485, permitindo conexão fácil com diversos dispositivos, incluindo dataloggers, controladores, CLPs e sistemas remotos.





