Em lagoas de estabilização, o desempenho do tratamento não é determinado por equipamentos mecânicos ou reações instantâneas, mas pela estabilidade contínua do ambiente biológico ao longo de grandes volumes de água e extensos tempos de detenção hidráulica. Nesse contexto, o pH da água atua como um indicador estrutural do estado do sistema, refletindo diretamente a atividade metabólica dos microrganismos, a solubilidade de compostos e a estabilidade das reações bioquímicas que ocorrem nas lagoas. Pequenas variações, quando observadas ao longo do tempo, podem sinalizar mudanças relevantes no metabolismo biológico, na dinâmica algal ou no equilíbrio químico geral do meio aquoso.
Influência ambiental e dinâmica do pH ao longo do ciclo diário
As lagoas anaeróbias, facultativas e de maturação operam sob forte influência de fatores ambientais como radiação solar, temperatura da água e regime de chuvas. A atividade fotossintética das algas durante o dia promove o consumo de dióxido de carbono, favorecendo reações alcalinas que elevam o pH. À noite, a respiração biológica tende a reduzir esses valores. Essa alternância diária, somada a variações sazonais, gera oscilações significativas que não podem ser capturadas por medições pontuais. Quando o pH se afasta da faixa adequada, surgem impactos diretos sobre a eficiência da degradação da matéria orgânica, podendo indicar estresse biológico, redução da atividade microbiológica ou condições propícias à formação de odores e subprodutos indesejáveis.
Limitações operacionais de medições esporádicas
Em sistemas extensivos como lagoas de estabilização, a dependência de coletas manuais ou análises pontuais de pH impõe um risco operacional relevante. Essas medições isoladas não representam o comportamento real do sistema ao longo do tempo e dificultam a identificação de tendências associadas a reações alcalinas intensas ou desequilíbrios biológicos progressivos. A ausência de dados contínuos compromete a capacidade de correlacionar o pH com variáveis ambientais e operacionais, tornando a interpretação do processo excessivamente empírica. O desafio técnico central passa a ser acompanhar o pH de forma contínua e confiável, garantindo visibilidade sobre oscilações diurnas e sazonais sem interferir na dinâmica natural das lagoas.
Monitoramento contínuo integrado ao ambiente da lagoa
Inserido diretamente no contexto operacional das lagoas de estabilização, o sensor digital de pH, ORP e temperatura PHEHT & PHT da Aqualabo atua como um elemento de observação permanente do equilíbrio do sistema. Projetado para aplicações de monitoramento de água e efluentes, incluindo ETE, ETA e processos industriais, o sensor se adapta às condições de ambientes abertos e extensivos.
Em lagoas de estabilização, o pH ideal varia por tipo (anaeróbia, facultativa, maturação), mas geralmente se mantém na faixa neutra a levemente alcalina (6,5 a 8,5) para favorecer a atividade microbiana, com algas aumentando o pH durante o dia (fotossíntese), enquanto processos anaeróbios tendem a baixar para ácidos. As normas brasileiras regem os padrões de lançamento, como a Resolução CONAMA nº 430/2011 (que define padrões de lançamento) e a ABNT NBR 13972/2018 (norma técnica para projeto de lagoas), que indiretamente controlam o pH e outros parâmetros para garantir a qualidade do efluente tratado antes do descarte.
Faixas de pH por Tipo de Lagoa
- Lagoas Anaeróbias: pH mais baixo (ácido), pois não há oxigênio e predominam bactérias produtoras de ácidos, com pH em torno de 5,5 a 7,0.
- Lagoas Facultativas: pH mais equilibrado, tendendo a ser neutro (6,5-8,0), com variação diária: mais alto (alcalino) durante o dia (alga) e mais baixo à noite (bactérias).
- Lagoas de Maturação/Aeradas: pH alcalino (7,0-9,0) devido à intensa atividade de algas e oxigênio, promovendo alta remoção de patógenos e matéria orgânica.
Normas e Legislação no Brasil
- CONAMA 430/2011: Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes (incluindo pH, DBO, etc.) em corpos d’água, sendo a principal regulamentação para qualidade final.
- ABNT NBR 13972/2018: Normatiza o projeto de sistemas de lagoas de estabilização, definindo dimensões, profundidades e, por consequência, as condições operacionais (incluindo pH) para cada tipo.
- Legislação Estadual: Estados podem ter suas próprias resoluções (como a COEMA no Ceará), complementando a federal.
Em resumo, o pH é um indicador crucial da saúde da lagoa, e o monitoramento é essencial para garantir que o sistema atinja os padrões de tratamento exigidos pelas normas ambientais brasileiras.
Continuidade de dados e integração com automação
A comunicação Modbus RS485 viabiliza a integração direta do sensor a sistemas de automação e supervisão, possibilitando o registro contínuo dos dados, a análise de tendências e a centralização das informações operacionais. Em um processo caracterizado por respostas lentas e graduais, a disponibilidade de históricos confiáveis é fundamental para correlacionar variações de pH com incidência solar, temperatura e outros fatores ambientais. Essa abordagem reduz a necessidade de intervenções manuais e fortalece uma gestão baseada em dados técnicos consistentes.
Durabilidade e estabilidade em monitoramento de longo prazo
Em ambientes como lagoas de estabilização, a confiabilidade do instrumento ao longo do tempo é tão relevante quanto a precisão inicial. O uso de cartucho Plastogel substituível contribui para a durabilidade do conjunto sensor e para a manutenção da estabilidade das medições, mesmo em aplicações de monitoramento contínuo expostas a condições ambientais variáveis. Essa característica reforça a viabilidade do uso prolongado do sensor sem comprometer a qualidade dos dados, aspecto essencial para a avaliação da eficiência do tratamento e para a antecipação de desvios operacionais.
pH como ferramenta estratégica de gestão do processo
Ao fornecer uma visão contínua do comportamento do pH, o monitoramento online permite identificar rapidamente desequilíbrios biológicos, intensificação de reações alcalinas ou alterações na dinâmica do sistema. Com base em dados históricos integrados à temperatura, o operador passa a compreender o funcionamento das lagoas de forma mais técnica e menos empírica. Nesse cenário, o controle do pH deixa de ser apenas um requisito operacional e passa a atuar como elemento estratégico para garantir a estabilidade biológica, a previsibilidade do processo e a eficiência do tratamento em lagoas de estabilização.
Sensor digital PHEHT & PHT
pH
Descrição
O sensor de ponta PHEHT & PHT se destaca na medição de pH, ORP (Redox) e temperatura ou parâmetros de pH/temperatura. Projetado para condições desafiadoras, ele conta com eletrodo de longa duração, tecnologia digital e protocolo Modbus RS485 para uma integração simples e confiável.
Vantagens
Sensor combinado: pH, Redox & Temperatura ou pH/Temperatura
Faixas de medição:
pH: 0,00 a 14,00 pH
Redox: –1000 a +1000 mV
Temperatura (T°C): 0°C a +50,00°C
Cartucho Plastogel substituível
Comunicação digital Modbus RS-485
Arquivos
Documentação do sensor PHEHT & PHT
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FAQSensor digital PHEHT & PHT
Como calibrar o sensor PHEHT?
A calibração envolve ajustar as leituras do sensor a um padrão conhecido. O sensor de pH pode ser calibrado em até 5 pontos, embora aplicações comuns precisem apenas de 2 ou 3 pontos de calibração. O ORP é calibrado em 2 pontos. Os valores de todos os pontos de calibração para ambos os parâmetros são escolhidos pelo usuário. Isso permite que o sensor PHEHT seja calibrado próximo ao nível de trabalho esperado, aumentando a precisão para uma aplicação específica.
A sonda PHEHT pode ser usada tanto de forma portátil quanto online?
Sim. Projetada para uso portátil (handheld) e instalações em campo (in situ), a sonda de pH/ORP se destaca em condições desafiadoras, oferecendo resposta rápida, baixa dependência de fluxo e baixo consumo de energia.
Como fazer a manutenção e limpeza do sensor PHEHT?
A limpeza é feita mergulhando o eletrodo em uma solução de limpeza especial. O eletrodo deve ser mantido limpo e a calibração deve ser verificada regularmente e ajustada com o tempo. Quando o eletrólito se esgota (normalmente em 12 a 18 meses), basta trocar o cartucho substituível por um novo e o sensor estará pronto para uso novamente.
A sonda PHEHT é compatível com dispositivos de terceiros?
Sim. A sonda utiliza o protocolo aberto e universal Modbus RS485, permitindo conexão fácil com diversos dispositivos, incluindo dataloggers, controladores, CLPs e sistemas remotos.





