Na aquicultura marinha, a sobrevivência de peixes e camarões é definida por limites fisiológicos estreitos, e o pH da água ocupa posição central nesse equilíbrio. Embora a escala teórica de pH se estenda de 0 a 14, a faixa biologicamente viável para a maioria das espécies cultivadas permanece, de forma consistente, entre pH 6 e pH 9. Fora desse intervalo, ocorrem alterações diretas na respiração, no metabolismo, na excreção de amônia e na homeostase iônica, elevando rapidamente o risco de mortalidade.
Nesse cenário, o valor técnico do monitoramento não está em registrar extremos químicos abstratos, mas em acompanhar pequenas variações dentro da zona fisiologicamente tolerável, onde desvios aparentemente sutis indicam processos ambientais críticos em desenvolvimento.
Brânquias, equilíbrio iônico e toxicidade da amônia
As brânquias exercem funções vitais além da troca gasosa, sendo responsáveis pela regulação de íons como Na⁺, K⁺ e Cl⁻, além da excreção de CO₂ e amônia. Alterações no pH da água modificam os gradientes de difusão nessas estruturas, comprometendo a eliminação de dióxido de carbono e compostos nitrogenados e reduzindo a eficiência respiratória.
Esse mecanismo torna-se especialmente crítico devido ao equilíbrio químico entre NH₄⁺ (menos tóxico) e NH₃ (amônia livre, altamente tóxica), diretamente dependente do pH e da temperatura. Elevações simultâneas desses parâmetros aumentam a fração de NH₃, criando um ambiente potencialmente letal mesmo quando a concentração total de nitrogênio amoniacal não parece elevada. Monitorar pH sem considerar sua interação com a temperatura e os processos biológicos é, portanto, tecnicamente insuficiente.
Inversão térmica como gatilho de colapso ambiental
Entre os eventos de maior risco em viveiros, lagos e tanques de cultivo, a inversão térmica se destaca pelo impacto súbito e severo. Esse fenômeno ocorre quando uma queda brusca de temperatura rompe a estratificação normal da água, fazendo com que a água fria da superfície afunde e a água do fundo, pobre em oxigênio e rica em matéria orgânica em decomposição, ascenda.
Essa água profunda carrega CO₂, H₂S, amônia e outros subprodutos da decomposição, desencadeando simultaneamente queda abrupta do pH, redução do oxigênio dissolvido, aumento da toxicidade da amônia, asfixia e mortalidade em massa. Uma diferença térmica de apenas 4 a 5 °C entre superfície e fundo já representa um alerta operacional crítico, reforçando que o valor do sensor de temperatura não está na sua faixa total de medição, como 0 a 50 °C, mas na capacidade de detectar diferenças pequenas e fisiologicamente relevantes.
Monitoramento integrado como condição de estabilidade do cultivo
A estabilidade ambiental na aquicultura marinha depende da leitura simultânea e contínua de pH, temperatura e oxigênio dissolvido, parâmetros que operam como um sistema interdependente. Sensores digitais de pH integrados à medição de temperatura permitem identificar tendências de acidificação antes que atinjam níveis críticos, antecipar a liberação de amônia tóxica e detectar sinais precoces de inversão térmica.
Esse monitoramento integrado sustenta decisões rápidas, como aeração, renovação de água ou correção alcalina por calagem, reduzindo a dependência de sinais tardios, como peixes subindo à superfície, que já indicam um estado avançado de estresse fisiológico ou asfixia.
Sensor de pH inserido na lógica operacional da prevenção
Dentro dessa dinâmica, o sensor de pH não atua como um bloco isolado de instrumentação, mas como parte ativa da gestão fisiológica do sistema de cultivo. Seu valor técnico reside na confiabilidade, na estabilidade da leitura e na integração com sistemas de automação e alerta, permitindo respostas imediatas a variações críticas que impactam diretamente a sobrevivência dos organismos cultivados.
Ao alinhar a tecnologia de sensores ao entendimento da fisiologia dos peixes, dos processos de decomposição, da dinâmica térmica e do equilíbrio químico da água, o monitoramento deixa de ser genérico e passa a gerar informação operacional de alto valor, capaz de reduzir mortandades, aumentar a produtividade e assegurar a sustentabilidade da aquicultura marinha.
Sensor recomendado para aplicações contínuas em aquicultura marinha
Para atender às exigências operacionais da aquicultura marinha, onde pequenas variações dentro da faixa fisiologicamente viável (pH 6–9) podem indicar eventos críticos, é fundamental utilizar sensores projetados para monitoramento contínuo, estável e confiável. Nesse contexto, o sensor digital de pH, ORP e temperatura PHEHT & PHT da Aqualabo apresenta características técnicas adequadas às condições reais de viveiros, tanques-rede e sistemas de recirculação em ambiente marinho.
Embora o sensor possua capacidade de medição na faixa completa de pH (0,00 a 14,00), seu valor prático na aquicultura está na alta resolução e estabilidade de leitura dentro das faixas biologicamente críticas, permitindo detectar variações sutis que antecedem episódios de estresse, acidificação, aumento de toxicidade da amônia ou alterações respiratórias nos peixes.
Importância da medição simultânea de pH e temperatura
A medição integrada de pH e temperatura, realizada pelo PHEHT & PHT, é especialmente relevante em sistemas aquícolas, uma vez que a toxicidade da amônia e a eficiência das trocas gasosas nas brânquias dependem diretamente da interação entre esses dois parâmetros. Alterações térmicas de apenas 4 a 5 °C, típicas de processos como a inversão térmica, podem modificar rapidamente o equilíbrio químico da água e amplificar os efeitos de variações de pH.
A leitura contínua dessas variáveis permite ao produtor identificar tendências antes que atinjam níveis críticos, oferecendo tempo hábil para ações corretivas, como aeração, renovação de água ou correção alcalina, reduzindo significativamente o risco de mortandade.
Integração ao sistema de automação e confiabilidade operacional
A tecnologia digital do sensor PHEHT & PHT, com comunicação Modbus RS485, permite integração direta aos sistemas de automação, supervisão e telemetria utilizados na aquicultura moderna. Essa conectividade viabiliza monitoramento remoto, geração de alarmes, análise de tendências e registro histórico dos dados, fortalecendo a tomada de decisão baseada em informações reais do processo.
Além disso, o uso de cartucho Plastogel substituível contribui para a estabilidade das medições ao longo do tempo e reduz a necessidade de intervenções técnicas complexas, um fator crítico em operações contínuas, onde a interrupção do monitoramento representa risco direto à produção.
Sensor como ferramenta de prevenção de perdas e aumento da previsibilidade
Na prática da aquicultura marinha, o sensor de pH não deve ser visto apenas como um instrumento analítico, mas como uma ferramenta estratégica de prevenção de perdas. A confiabilidade do PHEHT & PHT permite que variações fisiologicamente relevantes sejam identificadas precocemente, antes que os efeitos se manifestem de forma visível nos peixes — momento em que, muitas vezes, as perdas já são inevitáveis.
Ao alinhar instrumentação robusta, medições contínuas e integração digital, as soluções da Aqualabo Brasil contribuem diretamente para a estabilidade do sistema produtivo, redução de riscos operacionais e aumento da segurança e sustentabilidade da aquicultura marinha.
Sensor digital PHEHT & PHT
pH
Descrição
O sensor de ponta PHEHT & PHT se destaca na medição de pH, ORP (Redox) e temperatura ou parâmetros de pH/temperatura. Projetado para condições desafiadoras, ele conta com eletrodo de longa duração, tecnologia digital e protocolo Modbus RS485 para uma integração simples e confiável.
Vantagens
Sensor combinado: pH, Redox & Temperatura ou pH/Temperatura
Faixas de medição:
pH: 0,00 a 14,00 pH
Redox: –1000 a +1000 mV
Temperatura (T°C): 0°C a +50,00°C
Cartucho Plastogel substituível
Comunicação digital Modbus RS-485
Arquivos
Documentação do sensor PHEHT & PHT
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FAQSensor digital PHEHT & PHT
Como calibrar o sensor PHEHT?
A calibração envolve ajustar as leituras do sensor a um padrão conhecido. O sensor de pH pode ser calibrado em até 5 pontos, embora aplicações comuns precisem apenas de 2 ou 3 pontos de calibração. O ORP é calibrado em 2 pontos. Os valores de todos os pontos de calibração para ambos os parâmetros são escolhidos pelo usuário. Isso permite que o sensor PHEHT seja calibrado próximo ao nível de trabalho esperado, aumentando a precisão para uma aplicação específica.
A sonda PHEHT pode ser usada tanto de forma portátil quanto online?
Sim. Projetada para uso portátil (handheld) e instalações em campo (in situ), a sonda de pH/ORP se destaca em condições desafiadoras, oferecendo resposta rápida, baixa dependência de fluxo e baixo consumo de energia.
Como fazer a manutenção e limpeza do sensor PHEHT?
A limpeza é feita mergulhando o eletrodo em uma solução de limpeza especial. O eletrodo deve ser mantido limpo e a calibração deve ser verificada regularmente e ajustada com o tempo. Quando o eletrólito se esgota (normalmente em 12 a 18 meses), basta trocar o cartucho substituível por um novo e o sensor estará pronto para uso novamente.
A sonda PHEHT é compatível com dispositivos de terceiros?
Sim. A sonda utiliza o protocolo aberto e universal Modbus RS485, permitindo conexão fácil com diversos dispositivos, incluindo dataloggers, controladores, CLPs e sistemas remotos.





