Em decantadores primários e secundários de estações de tratamento de água e esgoto, a operação ocorre em regime contínuo, sem margem para interrupções destinadas a medições manuais frequentes. A estabilidade do processo depende de gradientes de sólidos bem definidos ao longo da coluna d’água, compostos por zona clarificada superior, interface sólido-líquido e zona de lodo concentrado. Qualquer perda desse equilíbrio compromete simultaneamente a hidráulica do tanque, o desempenho biológico e a qualidade do efluente final.
A posição da manta de lodo não representa apenas um nível físico, mas a resultante dinâmica entre taxa de aplicação superficial, idade do lodo, capacidade de adensamento e taxa de remoção de sólidos. Em ambientes com alta carga de sólidos, bolhas de gás, incrustações e variações de vazão, depender de inspeções pontuais significa operar sem visibilidade real do processo.
Estabilidade biológica e risco operacional oculto
Em sistemas de lodos ativados, a manta de lodo exerce influência direta sobre a recirculação de biomassa, a concentração de sólidos suspensos no reator e a eficiência de remoção de matéria orgânica. Variações aparentemente pequenas na interface sólido-líquido alteram a idade do lodo e a disponibilidade de biomassa ativa.
Quando o controle é insuficiente, o processo se torna vulnerável a eventos súbitos, geralmente associados a picos de vazão, falhas na extração de lodo ou alterações na sedimentabilidade. Esses eventos não se desenvolvem lentamente; ocorrem sem aviso quando não há um indicador contínuo da aproximação da manta à zona clarificada. A ausência de resolução temporal transforma um problema interno de controle em uma falha operacional com impacto direto no efluente.
Arraste de lodo como gatilho de não conformidade
O arraste de sólidos ocorre quando a manta ultrapassa a zona operacional segura do decantador, resultando na perda de sólidos sedimentáveis e floculados para o efluente clarificado. O efeito imediato é o aumento de turbidez e de sólidos suspensos totais (SST), comprometendo processos subsequentes como desinfecção, filtração ou lançamento em corpo receptor.
Em estações de tratamento de esgoto, esse fenômeno está diretamente ligado ao atendimento da Resolução CONAMA nº 430/2011, que define limites de SST no efluente de sistemas biológicos. Embora a norma não trate da manta de lodo em si, a perda de controle interno é a principal causa de não conformidade externa. Biologicamente, o arraste representa perda de biomassa ativa, reduzindo a idade do lodo e desestabilizando a remoção de DBO.
Turbidez como variável-chave da interface sólido-líquido
O parâmetro que melhor traduz o comportamento da manta de lodo é a turbidez, diretamente correlacionada à concentração de sólidos suspensos e à densidade da biomassa. Em decantadores, o interesse operacional não está na faixa total de medição, mas na região de transição entre água clarificada e zona de sólidos.
Valores baixos e estáveis de turbidez na zona superior indicam boa clarificação; aumentos progressivos sinalizam a aproximação da interface sólido-líquido. Nessa região intermediária, pequenas variações representam deslocamentos significativos da manta e risco iminente de arraste. Não existem limites normativos internos para turbidez ou SST no decantador, pois trata-se de um parâmetro de controle do processo. A criticidade está no ponto em que o gradiente deixa de ser normal e passa a indicar falha de separação sólido-líquido.
Monitoramento contínuo inserido na lógica do processo
Para capturar essa transição de forma confiável, o sensor digital de turbidez NTU da Aqualabo atua diretamente dentro da dinâmica operacional do decantador. Baseado no princípio nefelométrico com dispersão de luz infravermelha a 90°, o sensor utiliza tecnologia óptica por fibra óptica infravermelha, garantindo estabilidade de leitura mesmo em meios com alta concentração de sólidos e baixa transparência, típicos da zona da manta.
A leitura pode ser realizada em NTU ou em mg/L de MES (0–4500 mg/L), permitindo correlação direta com os parâmetros usados no controle de lodo. Sua construção submersível IP68 viabiliza instalação fixa em diferentes profundidades, criando um perfil contínuo de turbidez ao longo da coluna d’água, sem interromper a operação.
Confiabilidade da medição em ambiente severo
Em aplicações críticas, a presença de incrustações e depósitos orgânicos compromete medições ópticas convencionais. O acessório de limpeza automática HYDROCLEAN reduz significativamente essa influência, mantendo a confiabilidade da leitura com mínima intervenção.
A comunicação digital aberta via MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12 permite integração direta com CLPs e sistemas supervisórios, viabilizando alarmes em tempo real quando a turbidez na zona superior ultrapassa o valor operacional seguro definido pelo processo. Dessa forma, o sensor deixa de ser um elemento isolado e passa a integrar a estratégia de controle operacional, sustentando decisões automáticas ou manuais baseadas em dados contínuos.
Controle preventivo e previsibilidade operacional
Com a medição online da turbidez associada à manta de lodo, o controle deixa de ser reativo. Tendências de subida da manta são identificadas antes que o arraste se manifeste, permitindo ajustes antecipados na taxa de extração de lodo ou na recirculação de biomassa.
Isso reduz perdas de sólidos, melhora a estabilidade do reator biológico e diminui o risco de não conformidade legal. A eliminação de medições manuais imprecisas é especialmente relevante em decantadores profundos ou de grande diâmetro. A robustez do sensor, aliada ao baixo consumo de energia, garante operação contínua em ambientes agressivos, enquanto o sinal digital padronizado melhora a rastreabilidade, auditorias e análises históricas do processo.
Decantadores sob exigência regulatória crescente
O controle da manta de lodo não é apenas uma escolha tecnológica, mas um fator determinante de confiabilidade operacional, estabilidade biológica e conformidade ambiental. Como não existem limites normativos diretos para a manta, o monitoramento da turbidez na zona de clarificação se consolida como a abordagem mais consistente para evitar falhas que só se tornariam visíveis no efluente final.
Ao fornecer uma leitura contínua e precisa da transição sólido-líquido, o sensor de turbidez NTU da Aqualabo, com tecnologia infravermelha nefelométrica, construção robusta e integração digital, sustenta decisões baseadas no comportamento real do processo. Em um cenário de maior rigor regulatório e necessidade de eficiência, o monitoramento online da manta de lodo passa a ocupar uma posição central na operação moderna de decantadores.
NTU – Sensor digital de turbidez
Sensor NTU
Descrição
A sonda óptica de turbidez NTU é baseada no princípio nefelométrico, com medição por dispersão de luz infravermelha a 90°. A ampla faixa de 0 a 4000 NTU garante excelente desempenho em aplicações de monitoramento de qualidade da água.
Vantagens
Tecnologia infravermelha de fibra óptica
Faixas de medição: 0 a 4000 NTU (em 4 faixas + faixa automática)
Possibilidade de medição em mg/L (MES: 0–4500 mg/L)
Construção robusta e submersível (IP68)
Opção de limpeza automática com acessório HYDROCLEAN
Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)
Sensor com consumo de energia muito baixo
Arquivos
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FAQ – NTU
Como calibrar um sensor de turbidez?
A calibração é feita com padrões certificados de formazina, em concentrações conhecidas. Após a calibração inicial, recomenda-se verificar a precisão medindo novamente os padrões e ajustar se necessário. Calibrações e registros periódicos garantem medições confiáveis.
Como fazer a manutenção de uma sonda de turbidez?
É importante limpar regularmente a janela óptica para remover depósitos e incrustações. Sistemas de limpeza automática (como HYDROCLEAN ou a versão com autolimpeza de alguns modelos) ajudam a reduzir a frequência de manutenção. Também é recomendado calibrar periodicamente com padrões de turbidez e proteger o sensor de impactos mecânicos.
Esse tipo de sonda é adequada para uso portátil?
Sim. O design compacto e leve permite o uso tanto em sistemas fixos quanto em medições de campo, oferecendo flexibilidade em diferentes cenários de monitoramento.
Como a tecnologia lida com bolhas e depósitos que podem afetar a medição?
O projeto óptico e os sistemas de autolimpeza ajudam a minimizar a influência de bolhas de ar e incrustações, mantendo a estabilidade da leitura mesmo em condições desafiadoras.
Qual a vantagem da comunicação digital?
A comunicação Modbus RS-485 ou SDI-12 possibilita integração fácil com controladores, dataloggers e sistemas supervisórios, com transmissão de dados em tempo real e maior imunidade a ruídos.





