Sensor de DQO em reuso

Sensor de DQO em reuso

Em sistemas de reuso de água, a confiabilidade operacional não é definida por eventos extremos, mas pela capacidade de manter o processo estável dentro de uma zona estreita de controle químico e biológico. Após o tratamento biológico secundário, a água segue para etapas de polimento — filtração granular, membranas, carvão ativado ou processos oxidativos — cujo objetivo vai além da remoção de sólidos ou microrganismos. Essas etapas são responsáveis por reduzir a carga orgânica residual a níveis compatíveis com baixa formação de biofilme, estabilidade química e previsibilidade operacional.

Nesse ponto do processo, o sistema opera com vazões relativamente constantes, baixa turbidez e concentrações residuais de matéria orgânica, onde pequenas variações geram impactos diretos na qualidade final da água. Trata-se de uma zona “fina” da operação: desvios não são visuais, não alteram os sólidos em suspensão totais (SST) de forma evidente e não podem ser identificados por inspeção empírica. A instrumentação deixa de ter papel meramente analítico e passa a ser elemento ativo de controle, capaz de responder rapidamente a alterações sutis antes que a água avance para reservatórios, redes internas ou aplicações industriais sensíveis.

O risco operacional oculto: perda silenciosa da eficiência do polimento

A eficiência do polimento em reuso não está associada à remoção grosseira de matéria orgânica, mas à manutenção contínua de uma DQO residual baixa e estável ao longo do tempo. O principal risco técnico surge porque falhas típicas do polimento — como saturação de carvão ativado, rompimento de membranas, by-pass hidráulico ou degradação da filtração — não provocam aumentos abruptos de turbidez. Elas se manifestam como incrementos discretos de matéria orgânica dissolvida, difíceis de perceber sem monitoramento adequado.

Quando esses incrementos passam despercebidos, os impactos se acumulam: crescimento microbiológico em linhas de distribuição, incrustações orgânicas, maior consumo de oxidantes e perda de confiabilidade do sistema de reuso. Análises laboratoriais de DQO, além de dependerem de reagentes e apresentarem tempo de resposta elevado, não possuem resolução temporal suficiente para capturar eventos transitórios típicos da operação real. Assim, o desafio técnico não é simplesmente medir DQO, mas verificar continuamente se o polimento está cumprindo sua função, dentro de uma faixa operacional onde variações de poucos miligramas por litro já indicam degradação do desempenho.

DQO residual como variável de controle em uma faixa estreita

O parâmetro central dessa aplicação é a DQO residual após o polimento, utilizada como indicador integrado da matéria orgânica dissolvida e coloidal remanescente. Para água de reuso, não há limite federal direto de DQO estabelecido por resoluções como a CONAMA 430, voltada ao lançamento de efluentes, nem por normas de potabilidade, já que o reuso não potável é regulado principalmente por critérios operacionais e setoriais.

Na prática, o controle se baseia em faixas reconhecidas de desempenho. Em sistemas bem ajustados, a DQO após polimento costuma se manter entre 20 e 60 mg/L, variando conforme a tecnologia empregada e a aplicação final. O ponto crítico não é o valor absoluto máximo, mas a estabilidade ao longo do tempo. Variações persistentes de 10 a 15 mg/L acima do histórico do sistema já indicam perda de eficiência do polimento. Em níveis abaixo de 30 mg/L, por exemplo, pequenas elevações se traduzem rapidamente em maior demanda de desinfetante e maior risco de formação de biofilme. É justamente nessa faixa intermediária, operacionalmente sensível, que a capacidade de detecção fina se torna determinante.

Instrumentação integrada ao processo, não ao laboratório

Dentro dessa lógica de controle contínuo, o monitoramento online de DQO deixa de ser um registro analítico e passa a atuar como ferramenta direta de verificação da integridade do polimento. O STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro, da Aqualabo, se insere de forma assertiva nesse contexto operacional ao realizar varredura espectral contínua de 190 a 800 nm, permitindo correlação direta entre absorção UV e carga orgânica dissolvida.

Diferentemente de sensores pontuais, o STAC2 opera com modelos espectrais configuráveis, desenvolvidos no software UV-PRO, que podem ser ajustados especificamente ao efluente polido de cada instalação. Essa customização aumenta significativamente a confiabilidade da correlação com a DQO real do processo. A medição sem uso de reagentes elimina riscos de manuseio químico e interferências operacionais, além de viabilizar ciclos de medição entre 2 e 5 minutos, compatíveis com a dinâmica hidráulica típica das etapas de polimento.

O sistema de autolimpeza do circuito de fluido reduz a deriva por incrustação orgânica — um ponto crítico em águas de reuso — enquanto a possibilidade de múltiplos canais de amostragem permite comparar entrada e saída do polimento, transformando o analisador em uma ferramenta direta de verificação de eficiência, e não apenas de monitoramento isolado.

Controle preventivo, não corretivo

A incorporação do STAC2 ao controle de DQO em reuso gera impactos que vão além da substituição de análises laboratoriais. O ganho central está na detecção precoce de desvios operacionais. Aumentos graduais de DQO podem ser identificados antes que provoquem efeitos cumulativos, como consumo excessivo de cloro, fouling em membranas a jusante ou instabilidade microbiológica.

Com dados contínuos, torna-se possível realizar intervenções baseadas em tendência, como retrolavagens antecipadas de filtros, regeneração de carvão ativado ou ajustes de vazão, evitando ações reativas tardias. A integração via Modbus TCP/IP ou RTU permite que o sinal de DQO seja incorporado aos sistemas de automação, viabilizando alarmes, análise histórica e estratégias de controle em malha fechada. O registro contínuo também assegura rastreabilidade operacional, essencial para auditorias internas e para demonstrar consistência da qualidade da água de reuso a clientes industriais ou órgãos licenciadores, mesmo na ausência de limites legais explícitos para DQO.

DQO como indicador estratégico da continuidade do reuso

Em sistemas de reuso, verificar a eficiência do polimento significa operar em um cenário onde a margem de erro é pequena, mas o impacto operacional é elevado. A DQO residual, embora nem sempre normatizada, é um dos indicadores mais sensíveis da integridade do processo. Quando monitorada de forma contínua, ela deixa de ser um dado esporádico e passa a atuar como variável de controle operacional.

Ao fornecer medições frequentes, sem reagentes e com modelos ajustáveis ao efluente real, o STAC2 permite que operadores e engenheiros tomem decisões baseadas em tendências reais do processo, e não em suposições ou resultados tardios de laboratório. O resultado prático é maior estabilidade do reuso, redução de riscos biológicos e químicos e aumento da confiabilidade do sistema como um todo. Em um cenário em que o reuso deixa de ser alternativa e se consolida como parte estratégica da gestão hídrica, monitorar corretamente a DQO no polimento não é um complemento — é um requisito operacional essencial.

STAC2 – Analisador online UV Vis multiparametro

STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro

Analisador online UV-Vis multiparâmetro

O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.

  • Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm

  • Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente

  • Medições multiparâmetros sem reagentes

  • Sistema de limpeza automática integrado

  • Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno

  • Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo

  • Analisador UV/Vis multiparâmetro

  • Medição contínua em linha

  • Sistema de fluxo com autoclean

  • Comunicação digital (Modbus, Ethernet)

  • Armazenamento e registro de dados interno

  • Compatível com gerenciamento remoto via software próprio

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – STAC2

Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?

A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.

Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.

O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.

Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.

Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.

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