Em lavanderias industriais, o risco operacional não surge no volume de água utilizado, mas na instabilidade química entre bateladas. Cada troca de receita — influenciada por tipo de tecido, grau de sujidade e dosagem aplicada — altera abruptamente a composição do efluente. Essa dinâmica gera descargas com elevada carga orgânica solúvel, forte caráter tensoativo e alta variabilidade diária, tornando ineficaz qualquer tentativa de controle baseada apenas em amostragens pontuais. O impacto ambiental desse efluente não se restringe à matéria orgânica biodegradável: a fração recalcitrante associada aos surfactantes aniônicos e não iônicos é o principal vetor de toxicidade aquática, formação de espuma e perda de eficiência em estações de tratamento a jusante. É nesse ponto que a continuidade do monitoramento deixa de ser analítica e passa a ser estrutural para a operação.
DQO como indicador crítico da carga de surfactantes
O controle da DQO associada aos surfactantes é o desafio técnico central. Esses compostos apresentam forte absorção na região UV, especialmente abaixo de 300 nm, o que dificulta correlações consistentes por métodos laboratoriais convencionais quando há variabilidade de formulações químicas. Descargas concentradas provocam inibição microbiológica, arraste de lodo e colapso de sistemas biológicos, além de espuma excessiva. Embora a Resolução CONAMA nº 430/2011 não estabeleça um limite federal direto para DQO, impõe critérios de não interferência no corpo receptor e controle de carga orgânica, levando órgãos estaduais e municipais a utilizarem a DQO como parâmetro indireto de licenciamento. Na prática, picos de DQO revelam falhas de dosagem, enxágue insuficiente ou descarte inadequado de banhos concentrados — desvios que só são percebidos tardiamente sem monitoramento contínuo.
Faixa operacional sensível e decisões de processo
A faixa crítica de DQO em lavanderias industriais situa-se tipicamente entre 500 e 2.000 mg/L, variando conforme reuso de água e tratamento existente. Incrementos rápidos acima de 1.000–1.200 mg/L indicam descargas ricas em surfactantes não diluídos, com aumento desproporcional da toxicidade e risco ao tratamento. Mesmo sem limite federal explícito, licenciamentos frequentemente exigem valores de referência setoriais ou correlação DBO/DQO para avaliar biodegradabilidade; relações DBO/DQO baixas são típicas de efluentes com alta concentração de surfactantes sintéticos. O controle eficaz, portanto, depende de identificar rapidamente desvios dentro dessa faixa sensível, viabilizando segregação de correntes, equalização e ajustes de dosagem antes que ocorram não conformidades legais.
Instrumentação integrada ao fluxo operacional
Para responder à variabilidade real do processo, a instrumentação precisa medir sem reagentes, responder rapidamente e suportar ambientes agressivos, além de integrar-se à automação existente. Inserido diretamente no fluxo operacional, o STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro realiza varredura espectral contínua de 190 a 800 nm, capturando a assinatura óptica dos surfactantes no efluente. Com medições a cada 2 a 5 minutos, acompanha fielmente os picos de carga orgânica típicos das operações de lavanderia. A configuração de modelos específicos no software UV-PRO, correlacionando espectros UV-Vis com a DQO real do processo, é essencial em efluentes de composição variável, onde modelos genéricos falham. O suporte a até quatro fluxos de amostragem permite monitorar descarte de banhos concentrados, efluente bruto e saída do tratamento. O sistema de autolimpeza do circuito de fluido mantém a estabilidade de medição mesmo com elevada carga de sólidos e surfactantes, reduzindo deriva óptica e manutenção. A integração via Modbus TCP/IP ou RTU, Ethernet ou WiFi habilita controle automático, alarmes e análise histórica.
Impactos operacionais, ambientais e de reuso
Com dados contínuos, a operação passa a detectar imediatamente desvios de dosagem, corrigindo antes que descargas críticas atinjam o tratamento ou o ponto de lançamento. A gestão ativa da equalização reduz picos e estabiliza processos físico-químicos ou biológicos subsequentes. Do ponto de vista regulatório, o monitoramento contínuo fortalece a rastreabilidade exigida por órgãos licenciadores, demonstrando controle efetivo mesmo sem limites federais explícitos de DQO. A eliminação do consumo de reagentes reduz custos e riscos de manuseio químico, enquanto a conectividade permite correlação com receitas de lavagem. Em plantas com reuso de água, o controle fino da DQO associada aos surfactantes reduz incrustações, formação de espuma e impactos na qualidade final do processo têxtil.
Síntese aplicada à continuidade do serviço
Na realidade das lavanderias industriais, a DQO é um indicador operacional direto da carga de surfactantes que condiciona risco ambiental, eficiência de tratamento e estabilidade do processo. A ausência de um limite federal único não diminui sua relevância; exige instrumentos capazes de transformar variações rápidas em decisões acionáveis. Integrado ao processo, o STAC2 — com tecnologia UV-Vis multiparâmetro, medições contínuas, modelagem específica via UV-PRO e conectividade industrial — desloca o monitoramento do campo analítico para o controle efetivo da operação. Ao atuar na faixa onde pequenas variações geram grandes impactos, o analisador sustenta conformidade ambiental, proteção do tratamento e eficiência produtiva, alinhando desempenho industrial e segurança regulatória.
STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Descrição
O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.
Vantagens
Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm
Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente
Medições multiparâmetros sem reagentes
Sistema de limpeza automática integrado
Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno
Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo
Analisador UV/Vis multiparâmetro
Medição contínua em linha
Sistema de fluxo com autoclean
Comunicação digital (Modbus, Ethernet)
Armazenamento e registro de dados interno
Compatível com gerenciamento remoto via software próprio
Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?
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FAQ – STAC2
Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?
A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.
Ele pode ser configurado para diferentes modelos de DBO, DQO ou COT?
Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.
Qual é o tempo típico de resposta entre medições?
O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.
Precisa de reagentes?
Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.
Possui sistema de limpeza?
Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.





