Em operações industriais, eventos como descargas de processo, falhas de segregação interna ou retorno de correntes concentradas não se anunciam por parâmetros hidráulicos ou visuais. Eles se manifestam como variações abruptas de DQO, frequentemente associadas a compostos orgânicos não biodegradáveis, capazes de atravessar etapas preliminares e comprometer sistemas físico-químicos e biológicos subsequentes. Sem dados contínuos, esses eventos só são percebidos quando já causaram inibição microbiológica, aumento de lodo químico, sobrecarga hidráulica de contingência ou não conformidade ambiental. É nesse ponto que a DQO deixa de ser um valor analítico e passa a atuar como variável viva de vigilância do processo, antecipando riscos antes que se tornem irreversíveis.
A natureza dinâmica da carga orgânica industrial
Diferentemente de efluentes predominantemente domésticos, os despejos industriais apresentam elevada variabilidade de carga orgânica, presença recorrente de compostos recalcitrantes — como aromáticos, fenóis, solventes e subprodutos de síntese — e flutuações abruptas de composição química ao longo do turno produtivo. Essas substâncias elevam a DQO medida, mas não são removidas por processos biológicos convencionais, criando uma dissociação entre carga aparente e remoção efetiva. Em linhas que incluem equalização, by-pass de segurança e tratamentos físico-químicos e biológicos sensíveis, pequenas alterações qualitativas na composição do efluente podem gerar impactos desproporcionais na estabilidade do sistema.
DQO sem tempo real: um problema estrutural de controle
Ensaios laboratoriais convencionais de DQO, além de descontínuos, não oferecem resolução temporal para identificar eventos agudos. Campanhas pontuais mascaram a relação entre fração biodegradável e fração recalcitrante, proporção que, em ambientes industriais, é dinâmica e diretamente ligada ao regime produtivo. Assim, o problema técnico não é apenas medir DQO, mas monitorar continuamente sua variação espectral, associada a compostos de difícil degradação. Sem isso, a operação permanece reativa, baseada em análises tardias, com alto risco operacional e ambiental.
Faixa crítica: sensibilidade do processo acima de valores absolutos
A Resolução CONAMA nº 430/2011 não estabelece um limite federal universal para DQO, tratando-a como parâmetro de controle operacional e de licenciamento específico. Essa ausência não reduz sua importância; exige, na prática, interpretação técnica baseada no comportamento do sistema. A faixa realmente crítica não é a escala teórica do parâmetro, mas aquela em que pequenos desvios em relação à linha de base histórica indicam aumento da fração não biodegradável, frequentemente correlacionada a estruturas aromáticas detectáveis por absorção UV. Mesmo sem ultrapassar limites finais de lançamento, desvios rápidos e sustentados da DQO de entrada sinalizam alteração qualitativa do efluente, afetando a eficiência biológica, a necessidade de descarte emergencial e o atendimento a condições indiretas de licença, como DBO, toxicidade ou eficiência mínima de remoção.
Inserção do monitoramento espectral na lógica operacional
Dentro dessa dinâmica, a instrumentação precisa ser robusta, contínua, sem dependência de reagentes e capaz de responder rapidamente às variações reais do processo industrial. É nesse contexto que a medição espectral UV-Vis se integra à operação como ferramenta de proteção. A varredura de 190 a 800 nm com resolução de 1 nm permite capturar assinaturas ópticas associadas a compostos orgânicos não biodegradáveis, fornecendo informação qualitativa além do valor global de DQO. A medição contínua, com ciclos típicos entre 2 e 5 minutos, oferece a resolução temporal necessária para detectar eventos agudos e sustentar decisões imediatas.
STAC2 como elemento ativo de vigilância de processo
O STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro, da Aqualabo, atua de forma integrada às exigências dos despejos industriais ao operar sem consumo químico, reduzindo custos e eliminando atrasos analíticos. A capacidade de trabalhar com até quatro fluxos de amostragem distintos permite comparar correntes específicas do processo com o efluente combinado, facilitando a identificação da origem de cargas problemáticas. Por meio do software UV-PRO, é possível desenvolver modelos correlacionados à DQO e a outros parâmetros, ajustados à realidade específica do efluente monitorado. A integração via Modbus TCP/IP ou RTU, Ethernet e WiFi insere os dados diretamente no sistema de controle da planta, viabilizando alarmes, intertravamentos e registro histórico confiável para auditorias ambientais e otimização do processo.
Impactos diretos na estabilidade e na tomada de decisão
A presença contínua desse tipo de monitoramento permite desvio imediato para tanques de contenção, ajuste de dosagem química ou proteção do sistema biológico diante da entrada de compostos não biodegradáveis. Isso reduz significativamente o risco de choque tóxico e inibição microbiológica, eventos de recuperação lenta e alto custo. A limpeza automática do circuito de fluido assegura estabilidade da medição mesmo em efluentes com sólidos e matéria orgânica variável, mantendo a confiabilidade do dado ao longo do tempo. A coleta local e em nuvem cria rastreabilidade contínua, suportando análises de causa raiz, negociações com órgãos ambientais e ajustes finos de operação.
DQO como indicador antecipado de risco industrial
Na realidade dos despejos industriais, a DQO não é um número isolado, mas um indicador antecipado de risco operacional e ambiental, especialmente em cenários marcados por composição dinâmica e presença recorrente de compostos recalcitrantes. A inexistência de limites legais diretos em âmbito federal reforça seu papel como variável estratégica de controle. Ao transformar a DQO em um sinal contínuo, espectralmente qualificado e integrado ao controle da planta, o STAC2 converte um parâmetro tradicionalmente reativo em uma ferramenta preventiva, diretamente conectada à estabilidade do tratamento, à proteção da biologia e à conformidade com as condições de licença ambiental.
STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Descrição
O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.
Vantagens
Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm
Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente
Medições multiparâmetros sem reagentes
Sistema de limpeza automática integrado
Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno
Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo
Analisador UV/Vis multiparâmetro
Medição contínua em linha
Sistema de fluxo com autoclean
Comunicação digital (Modbus, Ethernet)
Armazenamento e registro de dados interno
Compatível com gerenciamento remoto via software próprio
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FAQ – STAC2
Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?
A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.
Ele pode ser configurado para diferentes modelos de DBO, DQO ou COT?
Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.
Qual é o tempo típico de resposta entre medições?
O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.
Precisa de reagentes?
Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.
Possui sistema de limpeza?
Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.





