Sensor de DBO no efluente final

Sensor de DBO no efluente final

No ponto de lançamento do efluente tratado, a DBO residual deixa de ser apenas um indicador de desempenho do tratamento biológico e passa a ser um fator direto de risco regulatório, ambiental e operacional. É nesse ponto que qualquer desvio acumulado ao longo do processo se materializa em impacto legal imediato, pois o sistema biológico já executou sua função principal de oxidação da matéria orgânica. Falhas como sobrecarga hidráulica, perda de sólidos biológicos, inibição microbiológica ou baixa eficiência da decantação secundária não podem mais ser corrigidas a jusante. O efluente final opera com vazões variáveis, baixa concentração de sólidos e exposição direta a eventos externos, como infiltrações em redes coletoras, descargas industriais intermitentes e variações sazonais de temperatura, que afetam a atividade microbiológica. Nesse cenário, trabalhar sem monitoramento contínuo da DBO significa operar sem visibilidade em um ponto onde pequenas variações representam não conformidade ambiental.

A limitação estrutural da DBO₅ no controle do efluente final

O desafio técnico central não está na importância do parâmetro, mas na inadequação do método tradicional de DBO₅ frente à dinâmica operacional de uma ETE ou sistema de tratamento de efluentes industriais com carga biodegradável. O ensaio laboratorial de cinco dias, embora normativamente aceito, produz uma informação retrospectiva, incompatível com decisões que precisam ser tomadas em minutos ou horas. No efluente final, essa defasagem temporal se agrava: quando o resultado indica não conformidade, o lançamento já ocorreu. Além disso, campanhas laboratoriais pontuais não capturam picos transitórios de carga orgânica, comuns em sistemas com contribuições industriais ou variações hidráulicas bruscas. A ausência de monitoramento contínuo obriga a operação a trabalhar “às cegas”, impedindo ajustes oportunos de aeração, recirculação de lodo ou gestão de cargas afluentes, e elevando significativamente o risco de autuações ambientais e impactos ao corpo hídrico receptor.

Faixa operacional estreita e impacto legal direto

No Brasil, o lançamento de efluentes tratados é regulado pela Resolução CONAMA nº 430/2011, que estabelece para esgotos sanitários um limite máximo de DBO₅ de 60 mg/L no efluente final, além da exigência de eficiência mínima de remoção. No entanto, a operação tecnicamente responsável não trabalha próxima a esse teto. A faixa operacional crítica situa-se tipicamente entre 20 e 40 mg/L de DBO, onde variações de poucos miligramas por litro indicam mudanças relevantes na eficiência do tratamento biológico. Acima de 40 mg/L, o sistema entra em zona de alerta operacional, com risco real de ultrapassar o limite legal em condições transitórias, como picos de vazão ou queda de temperatura. Abaixo de 20 mg/L, embora indique bom desempenho, ainda requer acompanhamento para evitar consumo energético excessivo ou perda de estabilidade do lodo. Trata-se de um intervalo estreito em que pequenas oscilações têm impacto direto na conformidade ambiental, na imagem institucional do operador e na proteção do corpo hídrico receptor.

Inserção do monitoramento espectral no contexto operacional

É nesse contexto de faixa crítica estreita e baixa margem de erro que a correlação contínua da carga orgânica residual se torna tecnicamente justificável. O STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro atua diretamente no efluente final utilizando varredura espectral entre 190 e 800 nm, permitindo a geração de modelos correlacionados à DBO. Diferentemente dos métodos laboratoriais, o sistema não utiliza reagentes nem depende de incubação, operando com ciclos de medição típicos entre 2 e 5 minutos, compatíveis com a dinâmica hidráulica da saída da estação. A possibilidade de criar modelos personalizados por meio do software UV-PRO é particularmente relevante, pois permite ajustar a correlação espectral à matriz específica do efluente tratado, considerando características locais do esgoto sanitário ou do processo industrial. A medição direta na linha de tratamento, associada ao sistema de auto-limpeza do circuito de fluido, assegura estabilidade mesmo em condições de baixa carga orgânica, típicas do efluente final.

DBO como variável operacional integrada ao controle da planta

Ao integrar o valor correlacionado de DBO ao sistema de automação por meio de Modbus TCP/IP ou RTU, o parâmetro deixa de ser apenas um indicador histórico e passa a atuar como variável operacional em tempo quase real. A capacidade de antecipar tendências de aumento gradual da carga orgânica residual permite intervenções preventivas no processo biológico, como ajustes na taxa de aeração, idade do lodo ou recirculação, antes que o limite legal seja alcançado. A funcionalidade de até quatro canais de amostragem possibilita comparar o efluente final com pontos anteriores do processo, auxiliando na identificação da origem de perdas de eficiência. Além disso, o armazenamento local e em rede garante rastreabilidade de dados, facilitando auditorias ambientais e a comprovação de desempenho junto aos órgãos reguladores. A ausência de reagentes elimina custos recorrentes e riscos associados ao manuseio de produtos químicos.

Gestão contínua da conformidade no ponto mais sensível do processo

Na prática operacional, o monitoramento da DBO no efluente final deixa de ser uma exigência pontual e se consolida como ferramenta central de gestão de risco ambiental. Operar próximo aos limites definidos pela CONAMA 430/2011 sem visibilidade contínua expõe a estação a autuações, danos ambientais e perda de credibilidade institucional. A utilização de um analisador online UV-Vis multiparâmetro, como o STAC2, preenche a lacuna temporal entre o laboratório e a operação em tempo real, fornecendo informações exatamente na faixa onde pequenas variações têm grande impacto. Ao transformar a DBO de um resultado tardio em um indicador contínuo integrado ao controle, a operação deixa de reagir a eventos passados e passa a atuar preventivamente, mantendo o efluente final em uma zona segura de operação, com maior estabilidade do processo biológico e proteção efetiva do corpo hídrico receptor.

STAC2 – Analisador online UV Vis multiparametro

STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro

Analisador online UV-Vis multiparâmetro

O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.

  • Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm

  • Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente

  • Medições multiparâmetros sem reagentes

  • Sistema de limpeza automática integrado

  • Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno

  • Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo

  • Analisador UV/Vis multiparâmetro

  • Medição contínua em linha

  • Sistema de fluxo com autoclean

  • Comunicação digital (Modbus, Ethernet)

  • Armazenamento e registro de dados interno

  • Compatível com gerenciamento remoto via software próprio

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – STAC2

Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?

A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.

Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.

O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.

Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.

Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.

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