Em operações aquícolas intensivas e semi-intensivas, os eventos mais críticos raramente começam com a queda imediata do oxigênio dissolvido. O desequilíbrio se instala antes, de forma silenciosa, com o acúmulo progressivo de matéria orgânica biodegradável proveniente de ração não consumida, fezes dos peixes, biomassa planctônica e matéria orgânica dissolvida. Esse material é metabolizado por microrganismos heterotróficos, intensificando o consumo de oxigênio e alterando o equilíbrio biológico do sistema. Viveiros escavados, tanques-rede e sistemas de recirculação (RAS) compartilham essa dinâmica. Quando o processo é monitorado apenas por medições pontuais de laboratório ou por leituras reativas de oxigênio, o operador atua sobre o efeito, não sobre a causa. É nesse ponto que a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) deixa de ser um parâmetro ambiental genérico e passa a assumir papel operacional direto na estabilidade produtiva.
DBO como indicador antecipado de colapso biológico
A DBO representa o potencial de consumo de oxigênio associado à decomposição biológica da matéria orgânica presente na água. Em piscicultura, pequenas elevações desse parâmetro têm impacto desproporcional, especialmente em sistemas com alta densidade de estocagem. Uma elevação gradual da DBO ao longo do dia, muitas vezes imperceptível visualmente, pode resultar em hipóxia noturna, mortalidade súbita e degradação do efluente lançado em corpos hídricos receptores. Além disso, a decomposição excessiva favorece a formação de zonas anaeróbias no sedimento, liberação de compostos reduzidos e instabilidade da microbiota aquática. Do ponto de vista operacional, controlar apenas o oxigênio dissolvido significa reagir tarde demais. O desafio técnico está em identificar o aumento da carga orgânica biodegradável antes que seus efeitos se manifestem, permitindo ajustes preventivos como redução de arraçoamento, aumento controlado da aeração ou renovação de água de forma planejada.
Faixas operacionais críticas e referência regulatória
Na prática aquícola, a DBO não é avaliada em sua faixa teórica ampla, mas em intervalos estreitos, nos quais variações de 1 a 2 mg/L já alteram significativamente o balanço respiratório do sistema durante a noite. Em águas doces destinadas à aquicultura e à proteção da vida aquática, a Resolução CONAMA nº 357/2005 estabelece limites de DBO de até 5 mg/L para corpos d’água Classe 2 e 10 mg/L para Classe 3. Embora esses valores se refiram ao corpo receptor, eles funcionam como referência técnica para a qualidade da água utilizada e do efluente gerado pela piscicultura. Operacionalmente, níveis persistentemente acima de 3–4 mg/L em viveiros produtivos já indicam acúmulo excessivo de matéria orgânica facilmente biodegradável. Não existe limite legal específico para DBO interna em viveiros aquícolas, mas a relação direta entre DBO, estabilidade do oxigênio dissolvido e conformidade do efluente torna esse controle tecnicamente indispensável. Ignorar essas faixas resulta em decisões baseadas em efeitos já instalados.
Monitoramento contínuo da carga orgânica no próprio processo
Para transformar a DBO em uma variável de controle efetiva, ela precisa ser medida na mesma dinâmica do sistema aquícola. É nesse contexto que o STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro, da Aqualabo, se insere de forma estratégica na operação. O equipamento realiza varredura espectral de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm, analisando a absorção UV-Vis da amostra. Por meio de correlações espectrais configuráveis no software UV-PRO, o sistema estima a DBO online, eliminando o uso de reagentes e a dependência de análises laboratoriais demoradas. Os ciclos típicos de medição, entre 2 e 5 minutos, são compatíveis com a dinâmica de viveiros, canais de drenagem e sistemas RAS. A possibilidade de operar com até quatro fluxos de amostragem simultâneos permite acompanhar água de entrada, viveiro, saída e efluente final, criando uma visão integrada da carga orgânica ao longo do processo produtivo.
Robustez operacional em ambiente aquícola
Ambientes de piscicultura apresentam sólidos suspensos elevados, formação de biofilme e variações constantes de carga orgânica. O sistema de auto-limpeza do circuito de fluido do STAC2 é um fator técnico relevante nesse cenário, garantindo estabilidade da medição sem intervenções frequentes. A integração via Modbus TCP/IP ou RTU, além de Ethernet e WiFi, permite incorporar os dados de DBO diretamente ao sistema de controle da fazenda. Com isso, estratégias operacionais deixam de se basear em medições pontuais e passam a responder a tendências reais da carga orgânica, acionando aeração, ajustes de manejo alimentar ou renovação de água de forma coordenada e documentada.
Impactos diretos no controle produtivo e ambiental
Com o monitoramento online da DBO, o operador passa a antecipar eventos de decomposição excessiva antes que o oxigênio dissolvido atinja níveis críticos. A correlação entre picos de DBO e práticas de manejo permite ajustes técnicos nas taxas e horários de arraçoamento, melhorando a conversão alimentar e reduzindo desperdícios. A aeração deixa de ser acionada de forma empírica, passando a responder à carga orgânica real, o que reduz custos energéticos e evita estresse dos peixes por aeração excessiva. Do ponto de vista regulatório, o controle contínuo da DBO contribui para a conformidade do efluente com os padrões do CONAMA, reduzindo riscos de não conformidade e impactos sobre licenças ambientais. A medição sem reagentes, com rastreamento histórico local ou em nuvem, fornece evidências técnicas sólidas para auditorias ambientais e decisões baseadas em dados.
DBO como elemento estrutural da gestão aquícola
Na piscicultura moderna, integrada a cadeias agroindustriais e submetida a pressões de produtividade e sustentabilidade, controlar apenas variáveis finais não garante estabilidade. A DBO expressa a causa primária de muitos eventos críticos ao traduzir o potencial de consumo de oxigênio associado à matéria orgânica. Ao incorporar a estimativa online desse parâmetro ao próprio processo, o STAC2 da Aqualabo transforma um indicador tradicionalmente laboratorial em uma variável de controle em tempo real. Isso permite identificar aumentos graduais da carga orgânica dentro das faixas críticas relevantes e atuar antes que os efeitos se tornem irreversíveis. Mais do que um sensor isolado, o monitoramento contínuo da DBO passa a integrar a lógica operacional da piscicultura, conectando estabilidade biológica, previsibilidade produtiva e conformidade ambiental como partes inseparáveis da mesma estratégia técnica.
STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Descrição
O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.
Vantagens
Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm
Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente
Medições multiparâmetros sem reagentes
Sistema de limpeza automática integrado
Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno
Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo
Analisador UV/Vis multiparâmetro
Medição contínua em linha
Sistema de fluxo com autoclean
Comunicação digital (Modbus, Ethernet)
Armazenamento e registro de dados interno
Compatível com gerenciamento remoto via software próprio
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FAQ – STAC2
Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?
A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.
Ele pode ser configurado para diferentes modelos de DBO, DQO ou COT?
Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.
Qual é o tempo típico de resposta entre medições?
O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.
Precisa de reagentes?
Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.
Possui sistema de limpeza?
Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.





