A estabilidade do tratamento biológico em indústrias alimentícias não é determinada pela DBO média diária, mas pela capacidade do sistema em absorver variações rápidas de carga orgânica sem perda de eficiência.
Ciclos de produção, operações de limpeza Clean-in-Place – CIP, descarte de lotes fora de especificação e mudanças de formulação introduzem pulsos concentrados de matéria orgânica em janelas de tempo curtas. Esses eventos, quando não identificados no momento em que ocorrem, geram um efeito cascata que compromete lagoas aeradas, sistemas de lodos ativados e reatores anaeróbios, especialmente em plantas sem equalização hidráulica suficiente. O eixo técnico central desta aplicação é, portanto, a proteção da biomassa frente a choques orgânicos transitórios, condição essencial para continuidade operacional e atendimento regulatório.
Sensibilidade biológica e risco operacional invisível
Diferentemente de efluentes domésticos, a DBO em efluentes alimentícios não apresenta comportamento estável ao longo do dia. Descargas concentradas de soro, açúcares, amidos, óleos ou proteínas podem elevar a carga orgânica em poucos minutos, superando a capacidade de assimilação da biomassa. O impacto direto inclui consumo excessivo de oxigênio dissolvido, formação de ácidos orgânicos, queda de pH, perda de flocos biológicos e, em sistemas anaeróbios, inibição metanogênica. Esses efeitos não são imediatamente visíveis por indicadores convencionais, mas se manifestam posteriormente como perda de eficiência de remoção, aumento da DBO no efluente tratado e maior instabilidade operacional.
Pressão regulatória como consequência do desequilíbrio do processo
No Brasil, o lançamento de efluentes industriais é regido pela Resolução CONAMA 430/2011, que estabelece para o efluente tratado um limite de DBO₅,20 de 60 mg/L ou, alternativamente, eficiência mínima de remoção de 60%. Embora não exista um limite normativo para a DBO afluente, picos não amortecidos comprometem diretamente a capacidade de atender a esses padrões. Assim, a conformidade legal deixa de ser apenas uma questão de tratamento final e passa a depender da detecção antecipada de desvios de carga que coloquem o sistema biológico em estresse.
Limitações estruturais dos métodos tradicionais de DBO
O desafio técnico específico desta aplicação é a incapacidade dos métodos laboratoriais convencionais em capturar eventos transitórios. A DBO₅ tradicional fornece uma resposta tardia, incompatível com a dinâmica real dos efluentes alimentícios. Quando o resultado está disponível, o choque orgânico já ocorreu e seus efeitos já se propagaram pelo sistema. O problema, portanto, não é apenas medir DBO, mas detectar variações rápidas e relevantes da carga orgânica em uma escala temporal compatível com decisões operacionais como desvio para equalização, ajuste de aeração, diluição controlada ou modulação de carga aplicada aos reatores biológicos.
Faixas críticas onde pequenas variações geram grandes impactos
Na prática industrial, afluentes com DBO média entre 800 e 2.000 mg/L podem ser tratados de forma estável quando a carga é contínua e previsível. O risco surge quando ocorrem elevações súbitas acima desse patamar, mesmo que por períodos curtos. Variações de 20 a 30% da carga orgânica horária já são suficientes para reduzir a eficiência de remoção em sistemas aeróbios e provocar arraste de sólidos. O foco do monitoramento, portanto, não está nos extremos teóricos, mas na detecção precoce de desvios dentro da faixa onde a biologia começa a entrar em estresse, antes que o impacto se reflita no efluente final.
Monitoramento contínuo integrado ao controle do processo
É nesse ponto crítico que o STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro se insere na operação. O equipamento realiza a leitura contínua da assinatura espectral do efluente entre 190 e 800 nm, com resolução de 1 nm, permitindo a correlação direta com DBO, DQO e COT por meio de modelos configuráveis. As medições ocorrem em ciclos típicos de 2 a 5 minutos, incluindo a sequência de referência, o que é compatível com a velocidade dos picos orgânicos observados em plantas alimentícias. A operação sem reagentes elimina tempos mortos e riscos associados a consumíveis.
Arquitetura de medição alinhada à variabilidade do processo
A possibilidade de operar com até quatro fluxos de amostragem distintos permite monitorar simultaneamente linhas de processo críticas, o afluente bruto e a saída de tanques de equalização, criando uma visão dinâmica dao fluxo de propagação da carga orgânica. O sistema de autolimpeza do circuito de fluido mantém a confiabilidade da medição em ambientes com alta carga de sólidos e matéria orgânica, reduzindo interferências operacionais. A integração via Modbus TCP/IP ou RTU, Ethernet ou WiFi viabiliza o uso direto da DBO correlacionada em sistemas de controle, alarmes e estratégias automáticas de mitigação de carga.
Transformação da DBO em variável de controle preventivo
Com dados em tempo quase real, a DBO deixa de ser um parâmetro histórico e passa a atuar como variável de controle preventivo. A detecção imediata de picos permite ações como desvio automático para equalização, ajuste fino da taxa de aeração, controle da recirculação de lodo ou segregação de correntes de alto impacto. Isso reduz o risco de colapso biológico, estabiliza a eficiência de remoção e protege o atendimento aos requisitos da CONAMA 430/2011. Economicamente, há redução de consumo energético, menor geração de lodo excedente e diminuição de intervenções emergenciais.
Base de dados como ativo técnico e regulatório
A coleta e armazenamento de dados localmente e na nuvem, via SD, USB, Ethernet ou WiFi, cria uma base histórica robusta para auditorias ambientais, análises de causa raiz e otimização contínua do processo. Em indústrias alimentícias, onde a variabilidade é inerente ao negócio, essa rastreabilidade técnica sustenta decisões operacionais e demonstra controle efetivo da carga orgânica ao longo do tempo.
Continuidade operacional ancorada em visibilidade da carga
Na prática dessas operações, controlar DBO não significa apenas cumprir um limite, mas preservar o ativo biológico que sustenta o tratamento. A detecção de picos de matéria orgânica torna-se um requisito técnico para manter eficiência consistente, evitar instabilidades e garantir conformidade ambiental. Ao integrar medições rápidas, operação sem reagentes e conectividade industrial, o STAC2 deixa de ser um instrumento isolado e passa a compor a estratégia de controle da carga orgânica. Para plantas sujeitas a variações frequentes de produção e limpeza, essa abordagem representa estabilidade do processo, proteção biológica e segurança regulatória em um único fluxo operacional.
STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Descrição
O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.
Vantagens
Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm
Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente
Medições multiparâmetros sem reagentes
Sistema de limpeza automática integrado
Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno
Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo
Analisador UV/Vis multiparâmetro
Medição contínua em linha
Sistema de fluxo com autoclean
Comunicação digital (Modbus, Ethernet)
Armazenamento e registro de dados interno
Compatível com gerenciamento remoto via software próprio
Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?
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FAQ – STAC2
Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?
A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.
Ele pode ser configurado para diferentes modelos de DBO, DQO ou COT?
Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.
Qual é o tempo típico de resposta entre medições?
O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.
Precisa de reagentes?
Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.
Possui sistema de limpeza?
Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.





