Em uma cervejaria, a estabilidade do sistema biológico de tratamento é continuamente ameaçada por um fator específico: a variação abrupta da concentração de açúcares dissolvidos no efluente. Essa variabilidade, mais do que o valor médio da carga orgânica, define o risco operacional do processo. A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) passa a refletir, em tempo quase imediato, eventos como descartes de mosto, purgas de tanques, falhas em válvulas de desvio e os enxágues iniciais das rotinas de limpeza Clean-in-Place – CIP. O desafio técnico não está em tratar um efluente “carregado”, mas em absorver picos concentrados que surgem e desaparecem em poucos minutos, colocando em risco a biomassa responsável pela remoção da matéria orgânica.
Onde a variabilidade se origina no processo produtivo
O consumo intensivo de água nas etapas de mosturação, filtração, fervura, fermentação e, principalmente, nas rotinas de CIP, gera efluentes com alta carga orgânica facilmente biodegradável. Essa carga é composta majoritariamente por açúcares fermentescíveis, dextrinas residuais, etanol e subprodutos de levedura. Diferentemente de efluentes domésticos, o perfil do efluente cervejeiro é altamente dinâmico ao longo do turno de produção. O impacto mais severo ocorre quando essas correntes entram no sistema de tratamento sem qualquer amortecimento, provocando choques de carga que extrapolam a capacidade metabólica do lodo biológico, seja em sistemas aeróbios ou anaeróbios.
Risco operacional antes do risco ambiental
Quando um pico de DBO associado a açúcares não é identificado em tempo real, o efeito é imediato: aumento abrupto do consumo de oxigênio, formação excessiva de espuma, arraste de sólidos, queda da eficiência de remoção e, nos cenários mais críticos, perda parcial da biomassa. Esses eventos transformam um desvio operacional em um problema estrutural do tratamento. A relação alimento/microrganismo (A/M) sai rapidamente da zona estável, exigindo intervenções corretivas custosas e prolongadas. O risco ambiental surge como consequência direta dessa instabilidade.
Limites regulatórios e a lacuna no efluente bruto
A Resolução CONAMA nº 430/2011 estabelece, para lançamento em corpos hídricos, um limite de 120 mg/L de DBO ou, alternativamente, uma remoção mínima de 60%. No entanto, esses valores se aplicam ao efluente tratado. No efluente bruto de cervejarias, não existem limites normativos específicos. É justamente nessa ausência que reside o desafio técnico: controlar as faixas críticas de DBO antes do tratamento, onde pequenas variações na concentração de açúcares provocam impactos desproporcionais na biologia. O foco operacional passa a ser a estabilidade da carga afluente, viabilizando estratégias como equalização, diluição ou segregação de correntes mais carregadas, antes que o reator seja afetado.
Monitoramento contínuo como elemento ativo do processo
Nesse cenário, o monitoramento deixa de ser uma prática ambiental retrospectiva e passa a integrar o controle de processo. A capacidade de responder rapidamente às mudanças reais da composição do efluente exige uma tecnologia que acompanhe a dinâmica do processo cervejeiro. O STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro da Aqualabo se insere de forma estratratégica nessa lógica operacional ao realizar varredura espectral de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm, permitindo a correlação direta entre absorção UV-Vis e compostos orgânicos dissolvidos, especialmente os açúcares responsáveis pelas oscilações de DBO.
Tecnologia analítica alinhada à dinâmica do efluente
A operação sem uso de reagentes elimina atrasos de resultados analíticos e riscos associados à manipulação química, viabilizando medições contínuas com ciclos típicos entre 2 e 5 minutos, já incluindo a sequência de referência. Em ambientes onde múltiplas correntes coexistem, a possibilidade de trabalhar com até quatro fluxos de amostragem distintos permite monitorar simultaneamente efluentes de Clean-in-Place – CIP, produção e áreas auxiliares. Com o software UV-PRO, modelos específicos de correlação para DBO podem ser ajustados à matriz real do efluente cervejeiro, refletindo com maior fidelidade as flutuações de açúcares ao longo do dia.
Integração ao controle e resposta operacional imediata
A integração via Modbus TCP/IP ou RTU, além de Ethernet e WiFi, incorpora o sinal analítico diretamente ao sistema de automação da planta. Dessa forma, o analisador deixa de ser um instrumento passivo e passa a atuar como gatilho de decisão operacional. Desvios de carga orgânica podem acionar tanques de equalização, ajustes de vazão ou isolamento de correntes específicas antes que o sistema biológico seja impactado. A medição multiparâmetro em linha, associada ao sistema de autolimpeza do circuito de fluido, assegura confiabilidade dos dados e reduz a necessidade de manutenção frequente em ambientes industriais agressivos.
Controle da DBO como estratégia de continuidade operacional
Ao estabilizar a DBO afluente, a operação mantém a atividade microbiana dentro de uma faixa saudável, reduzindo a ocorrência de choques de carga e evitando intervenções emergenciais. O registro local e em nuvem facilita auditorias ambientais e a demonstração de conformidade com a CONAMA 430/2011, mas o ganho principal está na mudança de postura: a planta passa de uma atuação reativa para uma gestão preditiva do tratamento, baseada em dados contínuos e representativos da realidade do processo.
Uma variável de processo, não apenas um parâmetro ambiental
Na prática operacional de uma cervejaria, a DBO associada às variações de açúcares deve ser tratada como uma variável crítica de controle, intimamente ligada à estabilidade do sistema de tratamento e à segurança ambiental. A aplicação de um sensor online como o STAC2 da Aqualabo transforma um parâmetro tradicionalmente laboratorial e retrospectivo em informação operacional em tempo real, adequada à natureza dinâmica do processo cervejeiro. Essa abordagem sustenta a proteção da biomassa, reduz riscos regulatórios e maximiza o uso da infraestrutura existente, posicionando o monitoramento contínuo como um elemento estratégico de eficiência, sustentabilidade e continuidade do negócio.
STAC2 – Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Analisador online UV-Vis multiparâmetro
Descrição
O STAC2 é uma solução avançada para monitoramento contínuo da qualidade da água, utilizando tecnologia UV/Vis capaz de detectar em tempo real parâmetros como DBO, DQO, COT, sólidos suspensos (TSS), nitratos e outros indicadores essenciais. Possui quatro canais de amostragem e foi projetado para aplicações exigentes em estações de tratamento, águas industriais, superficiais e sistemas de abastecimento.
Vantagens
Varredura espectral completa de 190 a 800 nm, com resolução de 1 nm
Suporte para até quatro linhas de amostragem trabalhando simultaneamente
Medições multiparâmetros sem reagentes
Sistema de limpeza automática integrado
Conectividade moderna: WiFi, Ethernet, USB e armazenamento interno
Ideal para processos industriais e monitoramento ambiental contínuo
Analisador UV/Vis multiparâmetro
Medição contínua em linha
Sistema de fluxo com autoclean
Comunicação digital (Modbus, Ethernet)
Armazenamento e registro de dados interno
Compatível com gerenciamento remoto via software próprio
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FAQ – STAC2
Como fazer a integração do STAC2 ao sistema de automação?
A unidade pode ser integrada via Modbus TCP/IP ou Modbus RTU, possibilitando comunicação com CLPs, supervisórios e softwares de gestão.
Ele pode ser configurado para diferentes modelos de DBO, DQO ou COT?
Sim. O software permite criar modelos personalizados baseados em correlações laboratoriais, garantindo alta precisão em medições equivalentes.
Qual é o tempo típico de resposta entre medições?
O ciclo de medição varia entre 2 e 5 minutos, incluindo leitura de referência (“blank”) automática.
Precisa de reagentes?
Não. A análise é totalmente ótica, sem necessidade de químicos ou consumíveis.
Possui sistema de limpeza?
Sim — conta com autolimpeza integrada no circuito hidráulico, reduzindo manutenção.





