Sensor de condutividade em ETEs

Sensor de condutividade em ETEs

Em Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs que recebem contribuição mista, a integridade do tratamento biológico depende da manutenção de um equilíbrio osmótico estável no afluente. Alterações abruptas nesse equilíbrio não se manifestam inicialmente por cor, odor ou turbidez, mas por mudanças imediatas na condutividade elétrica, parâmetro diretamente ligado à concentração de sais dissolvidos. Em ambientes urbanos com presença de indústrias alimentícias, químicas, têxteis, curtumes e processos de lavagem industrial, essas variações ocorrem de forma intermitente e imprevisível, frequentemente associadas a lavagens de processo, purgas de caldeiras, regeneração de resinas ou descarte de soluções de limpeza. Quando não monitoradas em tempo real, essas cargas salinas atingem diretamente os reatores biológicos, colocando em risco a estabilidade da biomassa, as taxas metabólicas e a eficiência global do tratamento.

Risco operacional invisível: salinidade como gatilho de instabilidade do processo

O desafio central desta aplicação não é medir condutividade como dado isolado, mas identificar despejos industriais salinos antes que provoquem impacto mensurável no sistema biológico. Diferentemente de parâmetros como pH ou temperatura, a condutividade responde de forma instantânea à presença de sais dissolvidos, mesmo quando o efluente aparenta normalidade visual. Eventos curtos de alta salinidade, quando não detectados, podem causar choque osmótico, redução da atividade nitrificante e problemas de sedimentação do lodo, efeitos que se manifestam apenas após o dano já estar instalado. Do ponto de vista regulatório, embora a legislação ambiental brasileira não estabeleça um limite direto de condutividade para lançamento em redes públicas, o operador da ETE permanece responsável por garantir a eficiência do tratamento e o atendimento aos padrões da Resolução CONAMA nº 430 no efluente final, fazendo-se necessário deslocando enfoque do controle operacional preventivo.

Faixa operacional como referência técnica, não valor normativo fixo

Na prática, o controle de condutividade em ETEs está baseado na análise de variações relativas, e não em um valor absoluto predefinido. Esgotos predominantemente domésticos apresentam condutividade estável, com flutuações diárias previsíveis relacionadas ao consumo de água e à carga orgânica. O sinal de alerta surge quando há elevações abruptas e recorrentes acima do patamar histórico da estação, indicando aporte industrial de sais dissolvidos. Esses incrementos rápidos são críticos porque antecedem falhas biológicas, como queda na remoção de nitrogênio ou alteração do índice volumétrico do lodo. Como não existe um limite legal único para definir excesso de salinidade, o limite relevante é aquele imposto pela tolerância da biomassa e pela estabilidade do processo, exigindo respostas operacionais como desvio de fluxo, equalização ou comunicação com o responsável pelo despejo.

Medição contínua integrada ao controle operacional da ETE

É dentro dessa lógica de proteção do processo que o C4E – Sensor digital de condutividade se insere de forma estratégica na operação da estação. Projetado para ambientes agressivos, o sensor utiliza tecnologia de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante, reduzindo os efeitos de polarização e incrustação típicos de águas residuárias. Essa característica garante estabilidade de leitura mesmo na presença de sólidos, matéria orgânica e variações de composição do afluente. A medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura, com compensação automática, é particularmente relevante em ETEs, onde a temperatura do esgoto varia ao longo do dia e influencia diretamente nos valores medidos.

Conectividade, durabilidade e confiabilidade em campo

A comunicação digital Modbus RS-485, com protocolo aberto, permite que o sensor seja integrado diretamente aos sistemas de automação e supervisão, viabilizando alarmes em tempo real, registro histórico contínuo e correlação com outros parâmetros operacionais. O baixo consumo de energia e o grau de proteção IP68 tornam o C4E adequado para instalação permanente em canais de entrada, poços de bombeamento ou linhas pressurizadas, sem comprometer a durabilidade do conjunto sensor + eletrônica. Além disso, o armazenamento dos dados de calibração no próprio sensor reduz intervenções frequentes e aumenta a confiabilidade das medições ao longo do tempo, mesmo em ambientes com alta tendência à incrustação.

Condutividade como ferramenta de rastreabilidade e decisão técnica

A adoção de monitoramento online contínuo transforma a condutividade em uma variável operacional acionável. A detecção imediata de eventos anômalos permite atuação antes que o despejo alcance os reatores biológicos, reduzindo o risco de perda de atividade microbiana e de longos períodos de recuperação do lodo. Paralelamente, a geração de dados rastreáveis possibilita identificar padrões de descarga industrial, apoiar ações corretivas junto aos contribuintes e fortalecer a gestão do sistema de coleta. Em comparação a células convencionais, o sistema de 4 eletrodos mantém a precisão por mais tempo, resultando em menor custo operacional e maior segurança na tomada de decisão.

Condutividade como indicador-chave na realidade do saneamento moderno

Em estações com contribuição industrial, a condutividade deixa de ser um parâmetro secundário e assume o papel de indicador-chave de proteção do tratamento biológico. A ausência de um limite legal direto não reduz sua relevância; ao contrário, reforça a necessidade de controle baseado no comportamento real do processo. Ao integrar um sensor online robusto como o C4E – Sensor digital de condutividade à automação da ETE, o operador passa a antecipar riscos, preservar a estabilidade do sistema e reduzir a probabilidade de não conformidade do efluente final. Trata-se de uma aplicação orientada à prática do saneamento atual, onde monitoramento contínuo, rastreabilidade e decisão baseada em dados são requisitos técnicos essenciais.

Sensor Digital C4E

Sensor Digital C4E

C4E

O sensor C4E utiliza um sistema de 4 eletrodos com corrente alternada e tensão constante. Essa tecnologia garante leituras precisas de condutividade e salinidade na maioria das aplicações de água, mesmo em condições desafiadoras.

  • Medição simultânea de condutividade, salinidade e temperatura

  • 4 faixas de medição + 1 faixa automática

  • Baixo consumo de energia

  • Comunicação digital Modbus RS-485 (protocolo aberto)

  • Protocolo de comunicação aberto (MODBUS RTU RS-485 ou SDI-12)

  • Sensor com consumo de energia muito baixo

Tem dúvidas sobre calibração, manutenção, integração ou suporte técnico?

FAQ – C4E

A temperatura é um fator que afeta a medição de condutividade da água?

Sim. A temperatura influencia diretamente a condutividade da água. Por isso, os sensores de condutividade deste tipo contam com compensação automática de temperatura para garantir resultados precisos.

A tecnologia digital permite armazenar os dados de calibração no próprio sensor, o que reduz a necessidade de recalibrações frequentes. A manutenção usual inclui limpeza dos eletrodos, verificação de danos e calibração periódica, especialmente em ambientes com maior incrustação.

 

Sim. O conjunto sensor + eletrônica é projetado para operação em ambientes agressivos, com grau de proteção IP68 e materiais robustos para aplicações em diferentes tipos de água.

 

O sistema de 4 eletrodos melhora a precisão em relação a células de 2 eletrodos, reduzindo efeitos de incrustação e polarização. Isso garante medições confiáveis em águas residuais, água potável e outros processos industriais.

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